Com um público de 17,5 milhões de consumidores que fazem compras pela internet, não tardou até que começassem a surgir pesquisas para descobrir quem é esse consumidor do mundo on-line no Brasil. Levantamento indica que 80% das pessoas que compram pela web têm entre 25 e 59 anos. Além disso, esse público está na parte superior da pirâmide social: a renda familiar média é de R$ 3.560 por mês, mais que o dobro do consumidor off-line, de R$ 1.444. A e-bit (empresa especializada em informações de comércio eletrônico) realizou a pesquisa que levantou as diferenças entre o consumidor on-line e o que faz suas compras no varejo tradicional (veja quadro).
''O público-alvo da internet, mesmo com o acesso da classe C, ainda é a elite'', salienta Alexandre Umberti, diretor de Marketing e Produtos da e-bit. Por consequência, a forma de pagamento mais utilizada por esse público é o cartão de crédito, enquanto os compradores tradicionais ainda utilizam o dinheiro de papel.
Entre as categorias de produtos que pretendem comprar nos próximos meses, os consumidores virtuais citaram eletroeletrônicos, artigos de informática, eletrodomésticos e livros. Entre os itens que os consumidores não compram pela web, estão os que precisam ser vistos e tocados no mundo físico, como produtos de supermercados, cosméticos, perfumaria, moda e acessórios.
O professor Alexandre Cabral de Azevedo, do curso de Administração da Universidade Norte do Paraná (Unopar), acrescenta que os consumidores on-line diferem dos compradores do varejo comum, mas são semelhantes entre si, independentemente da região do País em que moram. Para a sua dissertação de mestrado, ele desenvolveu uma pesquisa sobre o comportamento do consumidor na internet. Mais de 400 usuários de dois provedores brasileiros foram entrevistados no mundo virtual.
De acordo com a pesquisa, as pessoas que compram pela web têm nível de escolaridade médio a alto e familiaridade com compras a distância - como por catálogos ou telefone - e com a própria web. Azevedo ainda constatou que o consumidor on-line conhece a categoria de produtos que procura e, ao fazê-lo, exige informações completas sobre o que está comprando, sejam técnicas ou de uso. ''Se a empresa quer vender na internet, tem que deixar esses dados disponíveis'', alerta o professor. Ele ainda constatou que, apesar de ter diminuído, a desconfiança ainda leva pessoas a comprarem em sites famosos. ''Ou seja, tem que crescer muito para conseguir agregar valor no mercado'', completa.
Conhecer o perfil dos consumidores da web é descobrir o que Azevedo chama de ''consumidor inovador'', que são aqueles que procuram, compram novidades e se tornam líderes de opinião. ''As empresas precisam monitorar esses primeiros compradores para poder fazer ajustes no produto'', diz. No entanto é preciso ficar atento. ''O comportamento do consumidor da internet evolui à medida que evolui a tecnologia.'' Compras pelo celular e pela TV digital, exemplifica, logo podem se tornar realidade.

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