MERCADO DIGITAL - Ameaças virtuais, prejuízos reais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Recentemente, fez dez anos que o vírus LoveBug tomou conta dos computadores de todo o mundo. O malware (software malicioso), apelidado dessa forma, infectou cerca de 50 milhões de computadores em maio de 2000 por meio de um e-mail intitulado ''I Love You'', que o usuário recebia de uma pessoa da própria lista de contatos. Quem abrisse o arquivo em anexo chamado ''Love Letter for You'', fatalmente tinha arquivos de seu computador apagados ou substituídos.
Neste período os malwares evoluíram, o que tornou o LoveBug uma ideia ultrapassada. ''Foi o primeiro software malicioso de uma categoria que usa engenharia social'', diz Mário Proença Júnior, professor do Departamento de Computação e diretor de Tecnologia da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Por malwares de engenharia social entendem-se aqueles que usam apelos sociais para levar o usuário a contrair o vírus. Quem nunca recebeu um e-mail convidando a clicar em um link que promete levar a fotos daquela festa que você supostamente participou?
Para Proença Júnior, o grande mal na internet atualmente - além de usuários incautos - está em mensagens não-solicitadas que chegam todos os dias às caixas de e-mail dos usuários da internet: o conhecido ''spam''. Este tipo de mensagem utiliza mecanismos de engenharia social cada vez mais elaborados para alcançar o objetivo de disseminar softwares maliciosos.
Segundo ele, 90% das mensagens eletrônicas que circulam em todo o mundo podem ser denominados spam. Isto significa que apenas uma parcela muito pequena de tudo o que passa pelas caixas de e-mail é material solicitado pelo usuário. ''Os malwares têm a intenção de destruir arquivos do computador ou de conseguir informações privilegiadas para obter benefícios financeiros'', exemplifica. Em ambos os casos, o crime é praticado pelos ''crackers''. ''Eles são diferentes dos hackers, pois agem com má intenção'', ressalva.
Todos os dias, surgem tipos de vírus diferentes em uma proporção que os antivírus não conseguem dar conta de reconhecê-los. Considerando que das 6,7 bilhões de pessoas do mundo, cerca de 1,8 bilhão estão conectados à internet, os crackers encontram uma situação propícia para a atividade. ''Até o antiviírus ser atualizado, os crackers já pegaram 1% do que queria. Se ele consegue acertar 1% das pessoas, já são 18 milhões de pessoas. Mesmo se for 0,1%, é 1,8 milhão'', calcula o professor. Resumindo: mesmo com antivírus instalado no computador, o usuário pode estar vulnerável.


