Tudo é milimetricamente pensado para que o som seja reproduzido da forma mais fiel possível ao planejado pelo artista na hora da composição ou da execução ao vivo. Reproduzir esse cenário perfeito é a experiência almejada pelos audiófilos, os amantes do som - ou os ''chatos do som'' - como, por fim, se definem dois integrantes desse grupo que visitaram a 2 Mostra de High End, realizada no último final de semana em Londrina. High end é a tecnologia por meio da qual o audiófilo consegue obter maior fidelidade da reprodução de áudio. Na mostra, deu para perceber que a indústria fonográfica tem pensado em tudo para poder agradar a esse nicho de mercado.
''Em poucas palavras, o objetivo final é fazer com que a pessoa consiga acreditar que o artista está ali na sua frente, se estiver de olhos fechados'', resume Dennis Schwaderr Bonotto, criador de um fórum de discussão sobre o assunto na internet, o HTF, e proprietário da Liquid Sound, distribuidora de tecnologia High End em Campinas (SP). Os ouvidos mais treinados conseguem até mesmo identificar a posição em que estava cada instrumentista na hora da gravação. ''É preciso treinar o ouvido, como qualquer outro dos sentidos. Com tempo e experiência, é possível distinguir um som de qualidade'', afirma.
Para ter um áudio de alta fidelidade detalhes são importantes. É preciso contar com pelo menos duas caixas acústicas, um CD Player, um amplificador integrado (que vem com o pré-amplificador e o amplificador), cabos interconectores para os aparelhos e cabo de força e mesmo uma tomada específica, chamada de audiograde.
Para as caixas de som, já existe tecnologia que dispensa os alto-falantes. No lugar, uma fina e leve fita é responsável por irradiar o som dos dois lados da caixa. ''A caixa acústica tradicional tem um alto-falante que vibra num gabinete fechado. Já nessa caixa, a fita vibra livre no ar'', explica Ivan Donoso, proprietário da distribuidora curitibana que importa o aparelho da Dinamarca, a CD Shop.
A fita tem espessura equivalente a um décimo de um fio de cabelo e é tão leve que demoraria cerca de uma hora e meia para cair no chão, se jogada do alto. Conforme Donoso, o objetivo da tecnologia é fazer o som parecer o mais natural possível. A caixa tem 1,65 metro de altura, 49 centímetros de largura e impressionantes 3 centímetros de espessura.
Sem interferência
Amplificadores e pré-amplificadores podem ser encontrados separados ou integrados. É importante lembrar que, para os audiófilos mais exigentes, um amplificador separado do pré-amplificador é a melhor solução já que, dessa forma, a possibilidade de interferências diminui, assegurando um som de alta fidelidade.
Mesmo os cabos são específicos, fabricados sem contato com mãos humanas e de forma que a energia flua com o mínimo de interferência. Outro aparelho, chamado de purificador de energia, completa o trabalho dos cabos. ''A energia oscila muito e tem muita interferência. O som começa a ficar abafado e, conforme, vai sendo refinado com o cabeamento especifício e com o tratamento de energia, percebemos que o som fica mais limpo'', enfatiza Paulo Henrique de Aquino Araújo, organizador da mostra e proprietário da Cinesound, revenda de áudio e vídeo de Londrina que oferece equipamentos high end.
O tratamento acústico, através de difusores que são afixados nas paredes, também é uma das alternativas oferecidas e consideradas essenciais para os audiófilos. ''Às vezes uma pessoa tem R$ 50 mil em equipamentos na sua sala, mas o som toca pior do que na sala do amigo, que tem R$ 20 mil em equipamentos'', resume, para dizer que o tratamento acústico do ambiente pode fazer diferença.
De acordo com ele, uma pessoa que deseja obter maior fidelidade na reprodução de som pode gastar a partir de R$ 14,8 mil. ''No entanto, o sistema pode chegar até a R$ 1 milhão. Dependende do nível de exigência, do grau de refinamento e do realismo que a pessoa demanda'', completa.

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