No começo era um simples telefone portátil. Em 30 anos, os aparelhos celulares passaram por uma verdadeira metamorfose, fazendo do telefonema apenas mais uma função dentre as várias que podem proporcionar ao usuário. Hoje, os ''smartphones'' - ou telefones inteligentes - são muito mais que um aparelho com teclado parecido com o de um computador: o ''Qwerty''; exercem funções semelhantes à dos desktops e notebooks.
As múltiplas possibilidades de uso que o aparelho oferece não passam desapercebidas pelos consumidores mais ''tecnológicos''. No primeiro trimestre do ano foram vendidos cerca de 1,2 milhão de smartphones no Brasil, o correspondente a 10% do mercado. Se em número absolutos a participação ainda é pequena, percentualmente mostra um crescimento de 170% nas vendas desse aparelho na comparação com o mesmo período de 2009, segundo dados da empresa de consultoria Gartner.
Para o gerente de produtos da Motorola, Alexandre Giarola, no Brasil, o mercado de smartphones ainda encontra ''um cenário de mercado muito tímido'', uma vez que cerca de 80% dos assinantes de serviços móveis tem planos pré-pagos. ''Quem opta pelo plano pré-pago usa o telefone para fazer e receber chamadas, dificilmente vai se conectar à rede 3G'', analisa.
No entanto, com o barateamento dos preços dos aparelhos - antes ''proibitivos para a maioria da população'', segundo o executivo - a tendência é de crescimento. Desde novembro, foram lançados dez modelos de smartphones da empresa no mundo, quatro deles no Brasil. Uma das opções chegou ao País com o preço de R$ 899. ''É só uma questão de tempo até que o aparelho rompa a barreira dos R$ 500'', avalia.
Funções
A evolução da telefonia permitiu uma aproximação entre os smartphones e os computadores, baseada em sistemas operacionais abertos, processadores cada vez mais potentes, ampla capacidade de memória e telas menores. Um sistema operacional aberto possibilita aos usuários desenvolverem seus próprios aplicativos de acordo com as suas necessidades e fazê-lo funcionar no aparelho. Com isso, a quantidade de funções que um smartphone pode oferecer ao usuário é praticamente ilimitada.
A internet no celular ficou mais rápida com acesso à rede WiFi ou 3G. O uso do Cloud Computing (armazenamento remoto de dados) foi possível a partir dos smartphones, o que favoreceu o uso das desejadas redes sociais no dispositivo móvel. ''Hoje, é possível usar a rede com recursos de som, imagens e vídeos'', observa o professor Wagner Luiz Berto, do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
A maioria dos celulares já tinha câmeras fotográficas acopladas, mas com os smartphones as imagens ganharam maior resolução. ''No uso pessoal, os smartphones permitiram captar fotos, vídeos ou sons e divulgá-los no mesmo momento no meio público'', comenta o professor.
Com a possibilidade de instalação de vários aplicativos no aparelho celular, os fabricantes começaram a apostar em variedade de serviços que podem ser oferecidos ao cliente através da própria marca ou de empresas parceiras. Alguns já vêm com o aparelho, e outros podem ser comprados pela internet, como em um supermercado. Só para a plataforma Android, usada nos aparelhos da Motorola, já existem mais de 80 mil opções de aplicativos diferentes.
Um GPS guiado por voz ou serviço que mostra as atualizações de várias redes sociais permanentemente na tela do celular são alguns dos exemplos. Outras opções que já podem ser encontradas são aplicativos que exibem letras de música enquanto a canção é executada, como um karaokê, ou que reconhecem o som no ambiente.

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