Por causa do armazenamento de dados do sistema operacional e de aplicativos que já vêm instalados no aparelho, a memória interna de celular ou tablet novos – aquela utilizada para guardar arquivos e instalar aplicativos – pode vir com uma parcela já ocupada. Por este motivo, quando o consumidor adquire um aparelho, o espaço que ele tem disponível geralmente é menor que aquele divulgado nas especificações do produto – de 8 GB, 16 GB, 32 GB ou 64 GB.
No mês passado, a Proteste – Associação de Consumidores, entrou com ação civil pública contra duas fabricantes de smartphones e tablets por anunciarem na venda de seus aparelhos espaço de armazenamento menor do que realmente há disponível para uso dos consumidores. Em pesquisa feita pela associação, parte da memória utilizada pelo sistema operacional e aplicativos já instalados chega a 37% em um aparelho de 16 GB, restando para o consumidor apenas 10 GB da memória.
"A primeira coisa que o consumidor tem que olhar é a oferta que está sendo feita e o que realmente está sendo ofertado", orienta a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci. "Se não houver nenhuma informação na oferta, ele pode requerer os seus direitos."
Com smartphones e tablets munidos de cada vez mais recursos, o sistema operacional ocupa mais espaço da memória a cada lançamento. "A diferença do sistema operacional atual para os antigos é que o de hoje é multitarefa. Bem no passado, quando se enviava uma mensagem, tinha que terminar de enviar a mensagem para fazer outra coisa. Hoje, no smartphone, você pode fazer ligações enquanto usa o app de bate-papo. Para fazer todo esse mecanismo funcionar, precisa de um sistema operacional um pouco mais pesado", comenta Paulo Guedes, especialista de produtos do site comparador de preços Zoom.
"Para suportar a versão Android 5.0, por exemplo, que traz tecnologia com uma arquitetura de 64-bit, são necessários, aproximadamente, 4GB de memória para o sistema operacional e isso inclui capacidade para futuras atualizações do sistema Android", diz Joe Takata, gerente de produto da Sony Mobile no Brasil. O gerente da área de celulares da LG, Fábio Faria, explica que o espaço de memória disponibilizado nos aparelhos segue recomendação da empresa desenvolvedora do software - no caso deles, a Google.
Outros recursos que ocupam espaço do armazenamento dos smartphones e tablets são os aplicativos que já vêm no smartphone. Geralmente, são apps da própria fabricante e de operadoras com quem possuem parceria. O usuário dificilmente conseguirá desinstalá-lo, observa o especialista do Zoom. Segundo Faria, da LG, alguns dos aplicativos que já vêm "embarcados" no aparelho podem ser desinstalados, outros não. "O consumidor vai encontrar poucos apps embarcados da LG. Alguns podem ser desinstalados, outros não. São parcerias com jogos que a gente acredita que o consumidor vai ficar satisfeito em ter o software instalado. Mas a LG tem trabalhado para diminuir as suas aplicações (instaladas nos aparelhos)."
Joe Takata, da Sony, lembra ainda que as atualizações de aplicativos também têm impacto na memória disponível e que os usuários devem ficar atentos a isso gerenciando o número de apps instalados no aparelho.

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