Megatrotes na Rede criam pânico
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quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Agência Globo 
ReproduçãoSe você estiver lendo esta matéria, tome muito cuidado! Ela contém um terrível vírus de texto! Apague-a imediatamente e - importante! - não a envie para ninguém!
É claro que, aqui no caderno, impresso em papel, a afirmação acima não engana ninguém. Mas, na caixa postal do correio eletrônico, mensagens semelhantes incomodam - e muito - internautas do mundo inteiro. Cuidado com isso! Não faça aquilo! Não se mexa! Mãos ao alto! e outras chatices do gênero invadem, preocupam e atormentam mas, no final... não fazem nada, porque eram todas mentirosas. É a praga dos virus hoaxes, ou trotes de vírus ou, mais simplesmente, alarmes falsos, cujas funções parecem ser, nessa ordem 1) apavorar os incautos; 2) gerar cabelos brancos nos gerentes de rede.
Só este ano, sem contabilizar os vírus efetivamente malignos, pelo menos cinco grandes trotes deram certo, espalhando pânico e aborrecendo muita gente. Outros tantos devem ter sido criados mas não conquistaram nem o estrelato nem o nível de contágio do GOOD TIMES, do IRINA ou, mais recentemente, do JOIN THE CREW, todos falsos, chatos e inúteis.
Diante de um alarme desses, dizendo que os céus vão cair sobre a sua cabeça e recomendando que - horror dos horrores - tal informação seja repassada aos seus amigos, é preciso separar o joio do trigo. Para ajudá-lo, a gente compilou algumas dicas. Ei-las:
Primeiro: lembre-se que, na pior das hipóteses, se todas as ameaças forem reais, só um arquivo estará infectado - o que veio com a mensagem. Apague o arquivo, a mensagem e relaxe. Segundo: tenha em mente que, se o vírus não consta da lista (atualizada) de predadores binários do seu programa antivírus, seguramente ele não existe. Terceiro: se o seu antivírus encontra traços de contaminação na memória mas, depois de um boot, tais traços desaparecem, durma em paz. A principal característica de um trote é o alarmismo. Os verdadeiros inimigos entram no seu micro sem fazer barulho.
Lembre-se: até agora não se conseguiu transmitir qualquer tipo de vírus de computador usando texto puro como meio de transporte. Ou seja: não se transmite vírus por e-mail. É possível transmitir arquivos contaminados pela rede mas, para isso, é preciso preencher duas condições: devem estar anexados (ou atachados, segundo o jargão); e devem ser executados em condições específicas. É o caso dos vírus de macro, que viajam embutidos em documentos do Word e assolam os micros.
Se, ao acionar o antivírus, você dentificar algum dos indícios a seguir, é sinal de que o seu micro pode estar contaminado. São eles: o software avisa que muitos arquivos do seu disco rígido estão contaminados com o mesmo vírus; o vírus consta da lista de micróbios fatídicos do antivírus; mais de um programa anti-vírus confirma o diagnóstico; diversos arquivos executáveis, do tipo .com, ou .exe estão assustadoramente grandes; o Word ou o Excel mostram nomes de macros que você não conhece (confira em Ferramentas/Macros, ou em Arquivo/Modelos/Biblioteca/Macros), como AutoOpen, AutoSave, etc.
Preste atenção nos sintomas que não são, necessariamente, indícios de contaminação: seu disco rígido não funciona mais; o comportamento da placa de vídeo ficou estranho de uma hora para outra; a luz indicadora do disco rígido acende sem qualquer razão; o drive A insiste em procurar um disquete que não está lá e não pára de roncar; você não consegue usar um aplicativo específico.
Todas essas manifestações são extremamente desagradáveis, mas não significam que ele esteja contaminado. Tem problemas, é claro - mas não vírus.
Os antivírus, da mesma forma que seus inimigos, são escritos em linhas de programação - código bruto, por assim dizer. Eles tentam identificar, por tentativa e erro, a presença dos inúmeros bichinhos cujo funcionamento conhecem. Quando acreditam ter descoberto um vírus incrustado na máquina, há uma boa chance de que realmente aquela descoberta seja verdadeira. Os programadores dos antivirais trabalham com os mesmos conceitos usados pelo pessoal que cria vírus. Nada impede que um invada a área do outro e, êpa!, crie uma vacina que seja identificada como vírus. Isto acontecia com mais frequência nos anos da dinastia Windows 3.x/DOS e ocorre ainda hoje, mas com menos frequência.
A outra possibilidade é encontrar um vírus polimórfico, que muda de jeitão e de rastro a cada vez que funciona.
Seu rastreamento é difícil mas as vacinas mais recentes conseguem esquadrinhá-lo. Falsos alarmes ocorrem também quando algum programa mal escrito deixa rastros na memória, linhas de código mal resolvidas que podem, eventualmente, ser interpretadas como sinais de vírus.
Isso é tudo? Que nada! Esta edição está inteiramente contaminada... Você fica sabendo como vai a vida do único autor de vírus preso por suas atividades criminosas. A relação dos sites mais importantes com dicas, vacinas e um Input especial sobre o assunto. E os trotes mais famosos da história recente da rede.


