O computador sempre foi visto pelas pessoas mais velhas como uma máquina complicada, que amedrontava, impossível de ser dominada. Mas isso está mudando. Entretanto, a velha máquina de escrever não foi esquecida e, em muitas ocasiões, divide espaço com o micro.
O advogado e contador Francisco Iramina, de 72 anos, é um bom exemplo de como as pessoas que nasceram e cresceram sem a influência do computador estão se adaptando a esta nova exigência. Formado em Contabilidade, em 1952 e em Direito, em 1961, Iramina se lembra de que, no início da sua vida profissional, usava livros que ‘‘eram do tamanho de uma prancheta de desenhista’’ e as contas eram ‘‘feitas de cabeça’’.
Há pouco mais de três anos, o advogado recebeu do filho um computador 386, equipado com o World 3.1. Como a máquina começou a dar problemas, Iramina resolveu se matricular num curso de montagem e manutenção oferecido pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai). Mesmo assim, a velha máquina de escrever elétrica Olivetti Tekne 4, ‘‘que deve ter uns 50 anos’’, não foi abandonada. ‘‘Quem começou no tempo da máquina de escrever, não consegue largar’’, diz o advogado.
Para não deixar de lado nenhuma das ‘‘tecnologias’’, Iramina achou uma saída. Para os pequenos trabalhos, como de etiquetagem de pastas e disquetes, por exemplo, ele usa a antiga máquina elétrica, que está muito bem conservada. Para os trabalhos mais extensos, com maior grau de exigências, ele apela para o micro, que aprendeu a usar ‘‘por curiosidade, fuçando’’.
O que mais o agrada no micro são as ferramentas oferecidas, como calculadora, e a rapidez na correção do texto, que poupa tempo de trabalho. Mas, por outro lado, Iramina argumenta que a Internet acabou prejudicando os futuros advogados. ‘‘Hoje tem tudo na Internet e o advogado não usa mais os livros’’.
Para não ficar perdido diante de tantos termos em inglês, idioma o qual domina, o advogado também mantém alguns dicionários de informática ao lado do micro. ‘‘Eles ajudam bastante a desvendar os termos técnicos’’. Iramina só continua não gostando de uma coisa: fotografia. Ele não autorizou que a reportagem da Folha fizesse sua foto para ilustrar a matéria.
A enfermeira aposentada, Natália Camargo Nascimento, de 73 anos, também já superou os medos que tinha do computador. Ela frequenta há quase um ano o curso de informática do Senai e diz que começou porque ‘‘gosta de aprender coisas novas’’.
Ela confessa que, às vezes, ainda se confunde um pouco com os termos, mas que, com paciência, acaba entendendo. ‘‘Essa é a melhor idade (para aprender), porque podemos fazer coisas que não poderiam ser feitas na juventude, seja por falta de tempo ou de condições financeiras’’.
A Internet, linguagem que ela ainda não domina, deve chegar em breve à sua casa. E para quê? Para pesquisar e, é claro, fazer novos amigos.

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