O bug do milênio, ou Y2K - que está exigindo, em todo o mundo, gastos de US$ 600 bilhões para ser corrigido -, nasceu por uma medida de economia. No início da era dos processadores que permitiram a criação de computadores, a memória para arquivar informações era um dos componentes mais caros dos novos equipamentos.
Segundo a CNI, no início dos anos 60 um megabyte de memória em disco custava US$ 10 mil. Hoje, custa US$ 0,10.
Com um preço tão alto, era preciso representar as informações de forma muito compacta, para economizar espaço de memória. Foi aí que dois dos algarismos do ano cairam. Ao invés, por exemplo, de 1965, usou-se 65. Isso não causava nenhum problema - afinal, a diferença entre 1965 e 1960 é de cinco anos, exatamente igual à diferença entre 65 e 60.
Só que, na virada do milênio a coisa muda de figura, pois a diferença entre 2000 e 1999 é 1, mas a diferença entre 00 e 99 é -99. Com isso, a economia dos anos 60 transformou-se no mais poderoso (e dispendioso) bug já imaginado.
Nada que envolva datas poderá funcionar corretamente após a virada do milênio, se o Y2K não for eliminado a tempo.
O impacto do bug no sistema financeiro seria catastrófico: nenhuma operação teria como se concretizar. No Brasil, o Banco Central já exigiu formalmente que as instituições financeiras apresentem, até o final do ano, um inventário dos problemas que terão e análise do impacto do bug.
Nos Estados Unidos, segundo o Federal Deposit Insurance Corp., empresa que audita os bancos norte-americanos, apenas 21% deles ainda não eliminaram completamente o bug. Estes poderão perder depósitos federais, o que levaria alguns à falência.
O cuidado lá é tanto que no mês que vem mais de 30 instituições de Wall Street farão um teste conjunto para saber se suas correções deram mesmo certo. Por quatro sábados consecutivos, conforme adianta a cartilha que a CNI fez sobre o bug, estas instituições simularão operações de mercado como se estivessem no dia 29 de dezembro, seguido dos dias 30, 31 e 3 de janeiro. Assim, qualquer falha detectada poderá ser removida.
Segundo especialistas, a maioria dos computadores e programas produzidos a partir do fim de 97 já está pronta para a virada do século. Os anteriores é que vão apresentar problemas. O primeiro passo é procurar o fornecedor para saber quais as soluções disponíveis. Se o equipamento for de fabricante desconhecido ou que não atue mais no mercado, é preciso buscar ajuda de técnicos. Se o computador é muito antigo, é bem provável que a melhor opção para o usuário será trocá-lo.

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