Vários jovens reunidos em um local 24 horas seguidas ou mais e programando. Este é o cenário dos famosos hackatons, maratonas de programação que estão se tornando populares no País. Semana passada, estes jovens programadores tomaram um espaço do Senai Londrina para desenvolver uma solução no período de um dia. O desafio foi lançado na data anterior: um aplicativo para que as pessoas tenham a possibilidade de acompanhar uma obra ou reforma. O desafio surgiu do tema de um fórum, que estava sendo realizado no local, das áreas de construção civil e metalmecânica.
"Qual a maior dificuldade em uma reforma ou obra?", questiona Willian Cândido Pedroso, coordenador do curso técnico de Informática do Senai Londrina, sobre o tema do hackaton. O acompanhamento do andamento da obra com certeza é um ‘calcanhar de aquiles’ da construção. O cliente muitas vezes não sabe o que está acontecendo no canteiro de obras, e a falta de materiais, por exemplo, pode demorar a ser notada, atrasando o processo.
As regras do hackaton eram bem simples: depois que o desafio foi lançado, os participantes – em grupos de cinco - podiam usar a linguagem de programação que desejassem. Os detalhes do programa também ficariam a cargo da equipe. "Nós não deixamos algo engessado. Lançamos um desafio e a criatividade é deles", explicou Pedroso.
Desafio lançado, é hora de começar a dar forma ao projeto. Como ninguém fica sabendo com antecedência qual será o assunto do hackaton, a solução para o problema precisa ser concebido na hora. A organização do evento providenciou tudo o que os participantes precisavam para a maratona: equipamentos, alimentação e uma espécie de alojamento para que os participantes pudessem descansar quando quisessem. Mas ao que pareceu, poucos fizeram uso dele. "Não consegui", disse Luccas Tanan (17 anos), um dos participantes. A adrenalina para conseguir atingir o objetivo da maratona em tão pouco tempo é tanta que dormir fica quase impossível. Dormir também significa perder tempo. Claro que os participantes, em grupos, se revezam na hora do descanso, mas um a menos pode colocar a equipe em desvantagem.
"O mais difícil foi a organização, a distribuição dos trabalhos", contou Davi Salles, de 17 anos. Ele veio do Senai em Santa Catarina para disputar o hackaton em Londrina. Para resolver este problema, a equipe dele utilizou um software de controle de versões, que atualiza o código automaticamente assim que um dos membros faz uma alteração no programa. Para Rodrigo Oliveira do Carmo, de 19 anos, a pior parte do hackaton foi "manter a concentração mesmo com sono", brincou.
Já para um grupo formado pelos estudantes da Universidade Estadual do Paraná (campus Apucarana), a dificuldade foi aprender, em poucas horas, uma nova linguagem de programação. Para resolver o desafio lançado no hackaton, em um determinado momento, eles acharam que seria necessário utilizar uma nova linguagem, que nenhum deles conhecia. "C++ é muito limitada. Já o C# pode ir para mobile", explicam os participantes do grupo, referindo-se à linguagem de programação. Mesmo com os empecilhos encontrados no meio do caminho, a cerca de duas horas do término do prazo do hackaton o grupo de Apucarana já havia terminado o desenvolvimento de seu projeto. Para Bianca Lee Azuma, 18 anos, a "pressão" é o combustível para o desempenho.
No hackaton de Londrina participaram 13 estudantes, divididos em três grupos.

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