Máquina eletrônica completa 50 anos
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Catherine Bremer Agência Estado 
Apelidado de The Baby (O Bebê), o primeiro computador programável do mundo foi um gigante que ocupava o espaço de uma grande sala. Quando seus três inventores lhe deram vida na Universidade de Manchester, no norte da Inglaterra, em 1948, eles começaram a revolucionar o século 20, abrindo caminho para os modernos computadores pessoais.
Baby, um emaranhado de fios e válvulas eletrônicas grosseiras, foi gradualmente desmontado e esquecido à medida que o chip de silício foi desenvolvido, permitindo que máquinas mais rápidas e menores fossem construídas.
Determinados a garantir seu lugar na história, uma equipe de entusiastas da computação volta às raízes de sua ciência - e ao laboratório onde o computador foi montado - para reconstruir Baby e marcar seu aniversário de 50 anos em 21 de junho de 1998. Naquele dia, meio século atrás, pela primeira vez um computador digital eletrônico e totalmente programável rodou um programa.
Baby foi um triunfo da inovação britânica, disse o líder do projeto, Cris Burton. Os computadores de hoje trabalham exatamente com os mesmos princípios de Baby, informou. A sua memória tinha apenas 1.024 bits, bem menos do que a maioria dos computadores modernos, que exibem aproximadamente 164 milhões de bits. Baby, porém, tinha sete tipos de loop de instrução. Isso significa que, com uma memória maior, ele poderia ser capaz de rodar os programas mais sofisticados. As primeiras máquinas não tinham programa armazenado.
O princípio da máquina analítica foi inventado pelo britânico Charles Babbage, em 1835, abrindo caminho para o computador digital eletrônico. Um século depois, seu trabalho foi desenvolvido em ambos os lados do Atlântico. Colossus - o computador decifrador de códigos utilizado em 1943 pelo matemático britânico Alan Turing e sua equipe para decodificar mensagens nazistas - e o Eniac, o computador mastigador de números do exército dos Estados Unidos em uso em 1946, acotovelam-se pelo primeiro lugar na corrida para ser o primeiro computador digital eletrônico. Mas ambas as máquinas tinham de ser reprogramadas manualmente antes que um novo programa pudesse ser executado.
Baby não pretendia competir com essas máquinas. Ele foi montado para testar uma memória armazenada. O objetivo era construir uma memória digital que se pudesse ler e escrever eletronicamente, disse Dai Edwards, que participou do projeto quando era um estudante de 20 anos. Projetada a memória, precisávamos testá-la. A idéia era criar uma máquina para colocar não apenas números, mas códigos que pudessem ser interpretados como instruções.
Em 21 de junho de 1928, os testes deram certo: pontos luminosos apareceram em locais programados da tela do computador.
O sucesso de Baby foi para as manchetes dos jornais. Ele foi considerado a maravilha do nosso tempo - a máquina de memória capaz de resolver os problemas matemáticos mais complexos. Seus inventores foram procurados por cientistas que pesquisavam clima, DNA e energia atômica, com cálculos matemáticos muito complicados para serem resolvidos com lápis e papel.


