Máquina de fácil uso é sonho da maioria dos arautos da tecnologia
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Globo 
O Modulor, do Da Vinci, a charge do Aroeira, disponível na Globo On,para deleite de muitos e download de quem quiserRIO, 8 - Este é o nome da última moda cibernética: computador transparente. Há meses todas as revistas, livros e colunistas in estão falando de uma nova forma de computação, e alguns dos nomes que mais têm aparecido (não se esqueçam que tudo isso é anterior à morte da Princesa Diana) são Invisible
Computing (computação invisível) e Wearable Computing (computação vestível). Ambos aparecem com igual constância, das colunas de Nicholas Negroponte na Wired ao novo livro de William Gibson, Virtual Lights.
Até aí, nada demais. Eles são famosos, justamente, por viajar, privilegiando mais idéias do que produtos. A diferença é que, desta vez, há produtos por trás das idéias.
Até o momento, computadores têm sido notoriamente difíceis de usar, apesar do esforço de Macs, Windows e Intéis da vida. A idéia do computador usável e/ou transparente é a de se fazer uma máquina tão descomplicada e fácil de usar quanto um par de óculos, analogia não tão distante se levarmos em conta que um par de óculos pode ser, hoje, uma obra de rara sofisticação - lentes multifocais em material anti-reflexo, armações de titânio levíssimas e inquebráveis...
A idéia é fazer a mesma coisa com o computador. O resultado seria algo que usaríamos (nos dois sentidos da palavra) sem sentir, que passaria a fazer parte das nossas vidas. Um exemplo? Telefone celular. É um computador, pois tem processador, memória e dispositivos de entrada (teclado e microfone) e de saída (o alto-falante); mas quem é que já parou para pensar nisso? O mesmo pode ser dito dos pagers, dos relógios digitais, das calculadoras e até mesmo dos tamagotchis.
Outro exemplo é o Rex da charge, a ser lançado em dezembro. Ele é uma agenda eletrônica completa... num cartão que se liga ao micro através do slot PCMCIA ou da serial. A conexão é total, graças a um software da Starfish que se conecta com a agenda do micro (qualquer uma) e se atualiza sem que o usuário precise apertar um único botão.
O MIT (Massachusetts Institute of Technology) tem uma divisão inteira dedicada a essas novas máquinas. Lá diz-se que esses computadores devem ser portáteis enquanto são usados, isto é, você deve poder usá-los e se movimentar ao mesmo tempo; devem ser utilizados sem as mãos, ou seja, o ideal é que o ajudem no que está fazendo, em vez de atrapalhar ou interromper.
Devem ter sensores para poder sentir o ambiente físico, e suas baterias devem ter uma autonomia de vôo enorme, para evitar que sejam desligadas. E eles devem, claro, comunicar-se entre si. Concordo que isso parece mais ficção científica do que ciência mas, pelo sim, pelo não, já tenho um Pilot e um celular. E estou, é claro, na fila do Rex...
Um detalhe interessante: até agora a Microsoft e a Intel estão completamente ausentes deste mercado. Ainda bem! Alguém consegue imaginar um celular rodando Win 95? Entre os bugs da Telerj e os GPFs do Windows, ninguém conseguiria se falar.


