Com a chegada do IE 4.0, outros programas de navegação podem ficar à deriva, como na ilustração de AroeiraA semana foi dele. Começou com a reafirmação do título de homem mais rico do mundo, e de forma espetacular: dobrando a fortuna (nada desprezível...) em um ano. Logo depois, o homem deu por encerrada a construção do seu ‘‘cafofo’’ às margens do Lago Washington, em Seattle (modesta construçãozinha de US$ 60 milhões, que ultrapassou a previsão inicial em US$ 20 milhões; uma bobagem).
Para completar, lançou (no prazo - incrível!) um produto revolucionário: o Internet Explorer 4.0. De bem com vida, Bill Gates declarou, na festa de lançamento, ter adotado um estilo de vida Web (???). Taí algo engraçado de imaginar, considerando o gigantismo, a inconstância e a versatilidade da Web - características refletidas até nos browsers usados para viajar nela.
Quando se imagina estar usando a última versão do último modelo de um determinado produto, lá vem o concorrente e, pá!, joga na praça uma outra versão, melhor e mais barata, deixando o mercado em permanente ansiedade. Assim, de susto em susto, a gente chegou à quarta geração de browsers. Já proficientes em (in)utilidades bonitinhas, ganhamos de presente os derradeiros kits da felicidade micreira: a versão 4.03 do Netscape Communicator e a final do Internet Explorer 4.0.
Com eles, à exceção da teleplastia, pode-se fazer de (quase) tudo na Internet. A cada clique, uma surpresa. A cada objeto arrastado, um resultado diferente. Está definitivamente enterrada aquela época em que o seu micro era ‘‘uma coisa’’ e a Internet, ‘‘outra’’. Agora, estar desconectado beira a aberração. Não se pode mais ficar sozinho no micro: fica-se ‘‘off-line’’. Demais de chique.
Na semana passada, a Microsoft, guiada por Bill Gates, radicalizou esse conceito. Com o IE 4.0, mesmo desplugado do mundo seu micro terá Internet em toda a parte: nos ícones, cliques do mouse, raciocínio operacional, visualização do HD e até no desktop, alçado à condição de ‘‘microsoftosfera absoluta’’.
Não é exagero. Tio Bill amarrou tudo muito bem amarradinho. Até a Aurora chegar, a gente corre o risco de já estar completamente viciado no tal estilo Web da MS, tremendo facilitador de tarefas que não imaginávamos poderem ser facilitadas e inventor de outras, sequer idealizadas.
E isso não é tudo. Apoiado pelos maiores fabricantes de hardware e pelos melhores fornecedores de conteúdo, Bill está enredando o mercado, criando a sua própria Web. Se um dia a Internet o surpreendeu entrando pela porta dos fundos, hoje, como megera domada, é convidada de honra da grande festa que ‘‘Ele’’ prepara. Os canais levam para a Web uma Internet ‘‘animadinha’’, ‘‘sa-
colejante’’, inteiramente redesenhada pela Microsoft e que ela quer ver como padrão. Se agradarem às massas e aos desenvolvedores de conteúdo, a empresa estará a um passo de chegar onde pretende.
A Microsoft tem condições de inundar o mercado com cópias gratuitas do IE 4.0. E mesmo que a gente decida expurgá-lo da nossa máquina, esse poder de propagação, antigamente conhecido como dumping, assusta tanto que o Consumer Project on Technology (CPOT) enviou carta ao Departamento de Justiça (DOJ) pedindo a proibição da gratuidade.
O que muda? Webcasting: Estão disponíveis os canais Premium e as assinaturas de todos os websites da Internet. Quaisquer alterações nos websites assinados passam a ser notificadas por e-mail. Pode-se assinar todos os canais oferecidos no Guia de Canais. No mundo inteiro, são mais de 500. Como muitos outros países, o Brasil tem apenas dez, entre eles o do GLOBO On.
Desktop ativo: A integração da área de trabalho com a Internet é total, incorporando agora os chamados componentes ativos, elementos gráficos dinâmicos que atualizam informações minuto a minuto. Além disso, o IE 4 mexe com o design e a funcionalidade dos folders, com a barra de inicialização e o menu de programas.
Outlook express: Incluiu o autopreenchimento para endereços eletrônicos; conceitos de Zonas de Segurança; e modelos de mensagens formatadas em HTML (mas é preciso que o destinatário também use a mesma versão para receber a mensagem direito). Além disso, pode importar não só o livro de endereços como o próprios folders do Communicator. Oferece procura avançada entre folders e incorpora o conceito de Certificação Digital, o que dá mais segurança às correspondências sigilosas.
Browser: Ativou as Zonas de Segurança (nas quais você pode restringir a
navegação a
determinados sites) e os Scriplets, que são bibliotecas de códigos de HTML
destinadas a facilitar a
construção e a leitura das home pages. Habilitada a funcionalidade dos
Favoritos de ‘‘acenderem’’
uma luzinha para avisar ao usuário que o seu conteúdo foi modificado. Os
recursos de multimídia
ficaram mais estáveis.

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