Mágicas para controlar o estresse
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Marcelo AlmeidaJamiro da Silva Wanderley faz mágicas enquanto diverte executivos e profissionais de informáticaOs profissionais da área de informática que compareceram ao último encontro promovido pela IBM e pela Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações, no Hotel Rayon, em Curitiba, tinham pouca noção da palestra que seria proferida pelo médico cardiologista e professor da Unicamp, Jamiro da Silva Wanderley. Tema da noite: O controle do estresse.
Jairo da Silva Wanderley apresentou-se dizendo-se mágico e com uma cartola amassada, porque alguém tinha sentado em cima.
Em momento algum ele forçou o desenvolvimento das situações para a área específica da informática, muito embora o público fosse, exclusivamente, de profissionais da área interessados em conciliar as exigências do dia-a-dia com um pouco de controle sobre o estresse.
Durante mais de uma hora o dublê de médico e mágico montou os mais diversos retratos de um cidadão à beira de um ataque de nervos. Algumas dessas características: insônia, indecisão, cigarros em excesso ou então a crença pessoal de que tudo que os outros fazem está errado; aí acumulam-se os compromissos e não se consegue dar conta do recado.
O estresse não é resultado apenas do dia-a-dia profissional. Ele se estende por toda gama de situações que a vida oferece: família, vida profissional, crise na sociedade, insegurança.
Aquilo que se convencionou chamar de doença - o estresse -, é antes de tudo uma defesa do corpo evitando males maiores. Ao desviar o carro num perigo súbito, o homem está sendo protegido pelo estresse. O mesmo ato reflexo acometia o homem das cavernas ao deparar com um animal à sua frente. O estresse nos dá agilidade física e mental nas horas de clímax, explicou.
Porém, ele passa a incomodar se for mal usado. Afinal, o estresse nos alerta para alguma coisa que não está indo bem e precisa ser mudada. Uma maneira de evitá-lo está em não engolir sapos, para não ter outras complicações em forma de somatizações.
Para mostrar os nós interiores que vão se acumulando no íntimo da pessoa, o palestrante usou um barbante. A cada situação não resolvida, um nó. Chega um momento que o indivíduo está tenso, sem espaço para uma tranquilidade linear, como se apresentava o fio. Dividir o peso, falar com outras pessoas, buscar saída é uma atitude prudente. E o cordão desatou-se num toque de mágica.
A palestra seguiu nesse trajeto de situações comuns a todo e qualquer mortal, incluindo aí desde aquele executivo que chegou ao posto mais elevado da empresa e não tem mais como ascender profissionalmente, até aquele que busca alívio na bebida, e a cada dia aumenta a dose.
Ou ainda o outro tipo de pessoa, aquela que devido à sua importância no emprego, assume uma postura de ser sério. Embora tenha vontade, jamais vai rolar na grama com o filho, divertir-se no parque, soltar papagaio.
Por que não viver a vida no exato instante em que ela passa sobre nós? Por que deixar para o futuro aquilo que a morte, ou um acidente qualquer, poderá tirar para sempre dos planos duramente acalentados? Tem os que colocam na mítica aposentadoria todos os prazeres da vida. É um risco - esse prazer pode não chegar nunca.
São temas comuns, mas foi com este material, e as mágicas de principiante que Silva Wanderley divertiu e manteve a atenção do público sobre ele durante sua apresentação.
Convidando a platéia a sonhar e colorir seus sonhos, Jamiro da Silva Wanderley mostrou que isso é possível, folheando um livrinho infantil. A princípio tinha as páginas em branco, depois com desenhos em preto-e-branco, até ficarem coloridas. Basta colocar luz e cores na vida. Foi uma aula de humanização, disse um dos presentes enquanto aplaudia o médico.


