Vera Rita da Costa
Ciência Hoje
De São Paulo
Pesquisas em andamento no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, aumentam as perspectivas de desenvolvimento de uma vacina mais eficaz contra a meningite B. Os primeiros resultados positivos surgiram a partir dos estudos da pesquisadora Elizabeth Natal de Gaspari, que há dois anos vem utilizando antígenos da membrana externa da bactéria Neisseria meningitidis B na imunização de camundongos.
De forma diferente das vacinas tradicionais injetáveis, a vacina em desenvolvimento no Adolfo Lutz deverá ser administrada por via nasal, o que permitirá o bloqueio da bactéria na sua ‘porta de entrada’, aumentando a eficácia da imunização. As superfícies mucosas, principalmente as dos tratos gastrointestinal e respiratório, são as principais vias de entrada das infecções no ser humano, o que as torna, também, ‘‘os lugares ideais para bloquear a bactéria N. Meningitidis B’’, diz Elizabeth. Além disso - informa a pesquisadora - pretende-se aplicar a vacina em apenas uma dose, que seria suficiente para desenvolver a resposta imune, simplificando e diminuindo os custos da vacinação.
Entre os resultados positivos já obtidos pela equipe do Instituto Adolfo Lutz está a produção de anticorpos monoclonais, que permitiram caracterizar antígenos importantes, responsáveis pela produção de anticorpos capazes de destruir a bactéria N. meningitidis B. Entre esses antígenos podem estar aqueles que farão parte futuramente da vacina contra a meningite do tipo B.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda serão necessários mais esforços para obter uma vacina definitiva contra a meningite. Entre as dificuldades a serem vencidas, eles apontam a grande diversidade de tipos (cepas) da bactéria e sua enorme capacidade de escapar dos mecanismos de defesa do sistema imune humano.
Em um dos mais recentes estudos de campo, realizado para se avaliar a eficácia da vacina de origem cubana contra a meningite B, ficou evidente uma dessas dificuldades: em especial na Grande São Paulo, a baixa eficácia da vacina cubana foi atribuída à diversidade de sorotipos presentes na população. ‘‘Uma vacina só poderá ser considerada definitiva se garantir imunidade a todas as faixas etárias e proteger contra todos os tipos de N. meningitidis B’’, adverte Elizabeth. Para que esse objetivo seja atingido é necessário investir em conhecimentos básicos: ‘‘Devemos sobretudo compreender os mecanismo através dos quais a bactéria coloniza, invade e resiste ás defesas do organismo’’, afirma a pesquisadora.

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