Lua tem água de boa qualidade
Eduardo Castor Borgonovi
Agência Estado
Em março deste ano, a Nasa já havia anunciado a descoberta de água na Lua. A notícia, em si, era muito importante, porém faltavam duas informações fundamentais para que o fato pudesse ser comemorado com entusiasmo: sua quantidade e qualidade. No mês passado, as duas informações foram reveladas: é muita água, dez vezes mais do que se imaginava, e de boa qualidade.
Com essas confirmações, abre-se uma enorme perspectiva de habitar a Lua em um futuro não muito remoto e transformá-la em base intermediária para viagens espaciais mais longas - exatamente como se vê nos filmes de ficção científica.
Segundo as informações da missão Lunar Prospector, são cerca de 6 bilhões de toneladas de água congelada, nos dois pólos do satélite terrestre. A água, entretanto, não está concentrada em poucos pontos dos pólos: ela se espalha por toda a superfície desses pólos, em pequenas áreas, dentro das crateras abertas no solo lunar provavelmente por cometas.
As informações da Lunar Prospector revelaram também a presença de campos magnéticos fortes no solo lunar e fizeram um mapeamento global da distribuição das principais rochas na Lua. Outra descoberta surpreendente foi a de que a Lua provavelmente tem um núcleo central e pequeno rico em ferro.
Mesmo estando tão perto de nós, em termos astronômicos, essa é a primeira análise mais detalhada e completa já feita do nosso satélite. As revelações vão permitir, além de novos horizontes nas viagens espaciais, um maior conhecimento da origem da Lua e do nosso sistema solar. Além, é claro, das costumeiras discussões nos meios científicos entre os que vêem suas teorias confirmadas e aqueles cujas teorias são contrariadas pelas novas descobertas.
Em março, os cientistas da missão Lunar Prospector receberam indicações da presença de água em forma de gelo numa concentração de cerca de 1% no solo lunar, o que corresponderia a um total aproximado de 300 milhões de toneladas métricas em ambos os pólos lunares.
Baseamos aqueles dados conservadores em gráficos do espectômetro de neutrons, explica Alan Binder, do Instituto de Pesquisas Lunares da Nasa. Análises posteriores nos mostram, de forma definitiva, que existe hidrogênio nos dois pólos da Lua, ele completa. E esses números pularam, de forma fantástica, para 6 bilhões de toneladas métricas de água pura, com uma concentração 15% maior no pólo Norte.
Outro espectômetro - o de raios gama - foi usado para desenvolver o primeiro mapeamento da composição dos elementos do solo lunar. Esse mapeamento mostrou uma grande variedade de compostos de tório, potássio e ferro na superfície lunar. A origem mais provável desses minerais, segundo os cientistas da Nasa e da Universidade da Califórnia, seria o impacto de asteróides e cometas.
Os instrumentos da Lunar Prospector revelaram, também, que embora o campo magnético da Lua seja relativamente fraco e não espalhado por todo satélite, existem rochas magnéticas na superfície exterior. Essas rochas de campo magnético forte seriam as responsáveis pela existência de um campo magnético fraco, porém global, no satélite terrestre.
Essa descoberta também muda muita coisa a respeito do que se conhecia sobre a Lua, pois ela era, até agora, vista como um corpo não-magnetizado que tinha pouco influência sobre o fluxo de gás eletricamente carregado vindo do Sol - o chamado Vento Solar. Agora descobriu-se que ela influi nesse fluxo e que essa influência, por não ser simples, ainda terá de ser estudada e detalhada.





