France Presse
Washington - A Lua poderia ter-se formado a partir de elementos projetados de fora da atmosfera terrestre por uma colisão entre a Terra e um planeta gigante de massa três vezes superior à de Marte. A hipótese faz parte de um estudo divulgado pela Sociedade Norte-Americana de Astronomia.
Realizado por uma equipe da Universidade de Boulder (Colorado/EUA), o estudo retoma essencialmente a teoria denominada de ‘‘impacto gigante’’, elaborada nos anos 80 sobre a base das análises realizadas nas rochas lunares trazidas à Terra pelas missões norte-americanas da nave Apolo.
Mas se até agora os defensores desta teoria - hoje geralmente aceita pela comunidade científica - pensavam que o planeta que colidiu com a Terra era de um tamanho equivalente ao de Marte, o estudo sugere que apenas um planeta de massa três vezes superior poderia ter gerado matéria suficiente para a formação de um satélite como a Lua.
‘‘Este resultado é surpreendente. Nosso cálculos indicam que a energia desprendida no impacto teve que ser muito superior ao que pensávamos para produzir os materiais necessários para a formação da Lua’’, destaca a astrofísica Robin Canup, coordenadora do estudo.
Segundo os cálculos realizados por sua equipe, a colisão teria ocorrido há 4,5 milhões de anos, quando a Terra era ainda uma matéria maleável. O impacto entre os dois corpos celestes teria desprendido na órbita terrestre uma massa de fragmentos que teriam formado um disco gigante similar ao formado pelos anéis de Saturno. Estes fragmentos teriam-se reunido mais tarde para formar uma massa sólida, a Lua.
‘‘Impactos deste calibre desempenharam provavelmente um papel importante na formação de nosso sistema solar’’, estima Canup. Segundo ela, estes acontecimentos poderiam explicar o tamanho e a composição de Mercúrio ou a presença de uma grande lua, Charon, na órbita de Plutão.
Os autores do estudo reconhecem, no entanto, que estes resultados não permitem ainda explicar todos os mistérios que rodeiam a formação da Lua. Assim, um impacto da potência sugerida pelo estudo teria aumentado significativamente a velocidade de rotação da Terra, afirmou Robin Canup. Mas, nada permite detectar atualmente esta aceleração.
À espera de outros estudos, alguns já imaginam que outro impacto que atingiu a Terra na direção contrária pode devolver, anos depois, sua velocidade de rotação inicial.

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