Lua dá sinais de 'vida'
France Presse
Reflexos, provavelmente devido ao pó levantado por escapamentos de gás, foram observados na Lua, o que demonstra que o satélite natural da Terra não está totalmente acomodado geologicamente, afirmou, no último dia 6, o astrônomo francês Audouin Dollfus, do Observatório de Paris-Meudon.
Os cientistas sabiam que um período de atividade vulcânica e magnética começou na Lua há 4.200 milhões de anos, mas em geral consideravam que essa atividade teria cessado há mais de um bilhão de anos.
O registro de reflexos esporádicos na superfície da Lua, dentro da cratera Langrenus, parece desmentir a hipótese.
O exame de uma série de fotos do fundo da cratera, tiradas sempre com alguns dias de intervalo, há alguns anos, a partir do telescópio de Meudon, na periferia de Paris, pôs em evidência mudanças inesperadas.
As fotos, tiradas em 29 de dezembro de 1992 com um novo instrumento, o videopolarímetro, que registra imagens clássicas e imagens visíveis apenas para equipamentos com lentes polarizadas, mostram o fundo da cratera sem nenhuma anomalia. No dia seguinte, as fotos mostram reflexos visíveis, tanto nas imagens tradicionais como nas registradas com lentes polarizadas.
Nas duas noites seguintes, o céu nebuloso impediu as observações em Meudon, mas em 2 de janeiro de 1993, os reflexos seguiam visíveis, mudando de forma, e ainda apareciam outros em volta.
Estes acontecimentos foram registrados no centro de uma grande cratera, formada por uma antiga colisão, que fraturou e fissurou o solo. Além disso, a cratera se formou na periferia de uma vasta depressão, o Mar da Fecundidade, por sua vez também formado por um forte choque. Portanto, a região deve ter numerosas fraturas e fissuras, e esse relevo é propício aos escapamentos de gás, explicou o professor Dollfus.
Aguns sinais de vida parecidos foram registrados na superfície da Lua no passado, mas não houve antes documentação científica.As fotos, que mostram nuvens de poeira em formação, indicam que erupções esporádicas de gás seguem se produzindo na zona. Ou seja, que até o momento a Lua não é um astro completamente inerte, concluiu o astrônomo francês.
Seus trabalhos serão publicados na próxima edição das Atas da Academia Francesa de Ciências.





