Tecnologia já pesquisada e aplicada maciçamente nos países desenvolvidos, a nanotecnologia também começa a ganhar corpo no Brasil. A nanotecnologia é o estudo e a manipulação de materiais em escala nanométrica. Um nanômetro (nm) corresponde a 0,000 000 001 metro, e nesta escala estão inseridos, por exemplo, os átomos ou as moléculas.

De acordo com os últimos dados da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em 2010, o investimento mundial em nanotecnologia chegou a mais de US$ 5 milhões, com perspectiva de investimento de mais de US$ 1 trilhão em 2015. Entre 2000 e 2007, o governo brasileiro e o setor privado investiram juntos R$ 320 milhões na área, principalmente nos setores de cosméticos, de tecidos, cerâmico, ambiental, de tintas, de calçados, de plásticos e de fármacos.

O fato de Londrina ter empresas com pesquisas na área de nanotecnologia coloca a cidade "na rota dos municípios com potencial de desenvolvimento nesta área", observa Rosi Sabino, diretora de Ciência e Tecnologia do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel). "O tema é muito recente em nível de Brasil, apesar de que instituições de pesquisa e desenvolvimento estão bem conectados, e temos bons pesquisadores nesta linha atentos a esta temática."

Na sua percepção, as empresas que estão se voltando a esta área são predominantemente dos setores médico, odontológico, cosmético, de materiais e de alimentos. "Nossos pesquisadores brasileiros aprenderam, ao longo destes anos, a pesquisar em rede. Isso possibilitou que estivéssemos em um estágio avançado em termos de pesquisa e desenvolvimento."

Na Universidade Estadual de Londrina (UEL) pesquisadores na área de Física estudam as propriedades dos polímeros semicondutores orgânicos. Manipulado em escala nanométrica, o material tem a capacidade de conduzir eletricidade e de emitir luz. Os professores José Leonil Duarte e Edson Laureto, junto aos alunos de mestrado Luana Wolik, Bruno Rostirolla, Wesley Renzi, entre outros, estudam a aplicação do material nos Oleds (Organic Light-Emitting Diode) - hoje já presentes nas pesquisas de fabricantes para telas de televisões e de telefones celulares -, e nas células fotovoltaicas, capazes de absorver luz solar e convertê-la em energia elétrica.

Uma das vantagens mais conhecidas dos polímeros semicondutores orgânicos está no fato de que, com o material, é possível fazer dispositivos com camadas finas e flexíveis. "A ideia é fazer telas com que se consiga dobrar. Uma tela de celular que você pode dobrar, colocar no bolso", exemplifica Duarte.

Outro atrativo está na possibilidade de se formar uma camada orgânica do material em uma área muito mais ampla que o possível com materiais inorgânicos, explica ainda Laureto. "Você poderia trabalhar com um filme orgânico que cobrisse todo telhado de uma casa, formando um sistema fotovoltaico captador de luz para emissão de energia elétrica." Da mesma forma, esta camada poderia ser utilizada para emissão de luz, completa Duarte. Segundo Laureto, o material orgânico, com propriedades fotovoltaicas, poderia ser aplicado à tinta da parede de uma casa.

Por outro lado, uma desvantagem do polímero semicondutor orgânico está em sua vida útil, muito mais curta que dos materiais inorgânicos.

Para Laureto, os estudos deste material têm grande potencial. "Principalmente visando a economia de energia, porque são materiais eficientes em termos de produção de luz em relação aos Oleds e também, no caso dos dispositivos fotovoltaicos, da possibilidade de ter um custo efetivo bem mais baixo que o da tecnologia tradicional."

Imagem ilustrativa da imagem Londrina na rota da nanotecnologia



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