O dia de ofertas no comércio eletrônico brasileiro já tem data marcada: será no próximo dia 29. Cerca de 120 lojas on-line devem participar com descontos que prometem atrair os consumidores. A expectativa do Busca Descontos, que organiza o evento, é que este ano cerca de 850 mil pedidos sejam feitos durante as 24 horas da sexta-feira negra, com incremento de 57% em comparação com o volume de pedidos de 2012.
No ano passado, foram feitos 540 mil pedidos nos sites participantes, e o número de reclamações no site ReclameAqui ultrapassou os 8 mil. Segundo a assessoria de imprensa do site, a maioria das reclamações tinha relação com propaganda enganosa e site lento ou fora do ar.
No intuito de resgatar a confiança dos consumidores que se sentiram lesados em 2012, o Black Friday terá um Código de Ética e contará com um sistema de monitoramento de preços, que alerta para ofertas enganosas. "No ano passado, foi dado mais destaque a algumas empresas que fizeram maquiagem de preços que às empresas que fizeram tudo corretamente", defende Pedro Eugênio, CEO do Busca Descontos, referindo-se a empresas que elevaram os preços dos produtos na véspera do Black Friday para aplicar o desconto na data.
O Código de Ética foi regulamentado pela própria Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, que possui mais de cem associados, entre eles empresas que participarão do Black Friday. A adesão ao código não é obrigatória, no entanto quem aderir, será identificado por um selo chamado de "Black Friday Seguro".
Um dos pontos do código diz respeito à qualidade do atendimento do consumidor: "O sistema informatizado deve ser programado tecnicamente de modo a garantir a agilidade, a segurança das informações e o respeito ao consumidor".

Acessos
As reclamações dos consumidores relativas a site lento ou fora do ar no ano passado mostram que os lojistas não esperavam a alta demanda. De acordo com o professor universitário da área de Ciência da Computação, Adail Nogueira, que também é gerente da unidade da empresa de e-commerce Infracommerce, em Londrina, em datas como o Black Friday, o volume de acessos e a taxa de conversão dos sites (número de vendas sobre a quantidade de pessoas que visitam a loja virtual) aumentam drasticamente.
Nestas ocasiões, os sites precisam aumentar sua infraestrutura, mas devido ao alto preço associado, as empresas de e-commerce fazem primeiro uma estimativa dos recursos necessários para a data. Acontece que nem sempre a previsão se mostra acertada. Até os grandes players do e-commerce estão sujeitos a isto, afirma Nogueira.
"Cada pessoa ocupa dois elementos na infraestrutura de uma loja: largura de banda contratada e memória no servidor", explica. A largura de banda é a conexão à internet contratada pela loja on-line. A premissa é a mesma da internet para residências ou empresas: cada contrato tem um limite de velocidade. E quanto mais pessoas utilizam, mais lenta fica a conexão. "O site começa a ter tempo de resposta mais lenta, e a memória começa a ficar pequena e a demorar para responder também."
A dificuldade das empresas em estimar o volume de vendas e, consequentemente, a infraestrutura necessária, também se dá pelo fato de que o Black Friday é um evento relativamente novo no Brasil. "Este ano o volume (de acessos e vendas) pode tanto ser cinco vezes maior quanto a metade do que foi no ano passado", exemplifica Nogueira. "Para garantir acesso, é preciso disponibilizar mais recursos. Mas se vai ser suficiente ou não, só vamos saber no dia."


Leia em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA:

- Filtro de ofertas

- Consumidores precisam ter cautela

- Empresas estão investindo, diz Câmara

mockup