Loja virtual é ferramenta de negócios
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quinta-feira, 22 de janeiro de 1998
Jackeline Seglin Londrina 
Cesar AugustoSucessoPedro Herz, proprietário da Livraria Cultura:A Internet explodiu comercialmente e não pudemos ficar de foraTradicional no ramo das livrarias, a Cultura também largou na frente ao fazer negócio na Internet. O proprietário Pedro Herz foi o primeiro livreiro brasileiro a instalar um sistema de vendas na Rede. Em entrevista à Folha, ele conta como e porque resolveu adotar a Internet como uma ferramenta de negócios.
Em setembro de 1995, a Livraria Cultura instalou um site na Internet e começou a vender livros, sediada no provedor Mandic, de São Paulo. Em julho do ano seguinte, devido à dinâmica do processo, que incluia a rápida atualização do catálogo, Pedro Herz decidiu que a livraria teria um provedor próprio. Desde então, a livraria vem operando o site com sucesso, comemora Herz.
A Cultura tem cerca de 100 mil títulos no catálogo da loja virtual. Por dia, recebe mais de 200 e-mails e uma média de 2 mil visitas em seu site. O movimento é crescente, já que o cliente vem adquirindo confiança. Como o site da Cultura é criptografado (linguagem codificada), passa mais segurança para o usuário, explica.
Este é um ponto importante e que ainda causa medo em muitas pessoas: como passar o número do cartão de crédito, confiar que a livraria vai receber o pedido e que ninguém terá acesso? O livreiro concorda que a marca Cultura também ajuda o cliente a ter mais confiança, já que é uma empresa conhecida, com 50 anos de tradição (completados este ano). A vantagem do consumidor é que ele não precisa se preocupar, pois tem toda a proteção da lei brasileira (Procon) se comprar em empresas nacionais.
Perfil indefinido Quando resolveu montar a página, Pedro Herz conta que apenas seguiu uma tendência. A Internet explodiu comercialmente e não pudemos ficar de fora, lembra. O livreiro vai além e diz que, no futuro, ninguém sabe se a Internet será um grande shopping center ou um grande parque de diversões, já que hoje o acesso das pessoas é bem mais amplo e facilitado.
Apesar do sucesso da página, a Livraria Cultura não vai fazer do site na Internet o negócio principal da empresa, mas sim uma ferramenta adicional. Mesmo porque, o grande negócio da empresa é a loja (que fica numa área de 1.300 metros quadrados - só para vendas - instalada em quatro espaços dentro do Conjunto Nacional, em São Paulo). A loja vende bem mais que a Internet. E acho difícil a situação se inverter. Mas, sem dúvida, Pedro Herz admite que é uma ferramenta bastante importante nos negócios: a livraria recebe cerca de 1.500 pedidos por mês na Internet, vindos de todo o Brasil, o que corresponde a 3% do movimento total de vendas da livraria. A estimativa de crescimento para este ano, só na loja, é de 5% a 6% no faturamento global. Na Internet, Herz avalia que este número pode ser maior.
O perfil do cliente que compra livros na loja virtual ainda não foi definido pela Cultura, que ainda está fazendo um cadastramento. No início, se distinguiam os livros de informática, o que indicava que os usuários eram micreiros. Hoje, muita gente usa, é um interesse diverso, expandiu muito; desde a dona de casa até o executivo. Essa abrangência dificulta traçar um perfil, observa.
O endereço da Livraria Cultura na Internet é http://www.livcultura.com.br.


