LIXO EM ÓRBITA AO REDOR DA TERRA
Vilem Bischof
France Presse
Os fragmentos de veículos espaciais e os pedaços de foguetes e satélites mortos em órbita ao redor da Terra preocupam cada vez mais aos especialistas, que consideram esse lixo espacial um grave problema das próximas décadas.
Cerca duas mil toneladas de dejetos giram em torno da Terra, declarou Pierre Moskowa, diretor de técnicas espaciais do Centro Francês de Estudos Espaciais (CNES), ao terminar uma reunião de trabalho na qual participaram especialistas de diferentes organismos interessados nesse problema.
Nove mil objetos com mais de 10 cm de diâmetro, 110 mil de entre um e dez centímetros, e 35 milhões com menos de um centímetro, poluem o espaço em torno da Terra.
Estes restos procedem de satélites cuja vida útil acabou, de foguetes que permanecem em órbita depois de terem lançado os satélites que transportam e que se desintegram e às vezes se chocam entre eles, multiplicando o número de resíduos.
À velocidade com que se deslocam esses objetos em órbita (cerca de 28 mil km/h), até mesmo um minúsculo resíduo se converte num terrível projétil.
Dada a imensidão do espaço, por ora só existem riscos limitados, e a possibilidade de perder um satélite ou outro por causa de um choque desses objetos é calculada em um em dez mil.
Até agora só se conhece um caso de satélite perdido nessas circunstâncias, o de um microsatélite tecnológico francês Cerise, lançado por um foguete Ariane em 1995 e colocado fora de serviço em 1996 por um dos 700 fragmentos do tamanho de um punho procedentes de outro foguete Ariane lançado em 1986, e cujo terceiro estágio explodiu nove meses depois de cumprida sua missão.
No entanto, Moskowa enfatizou que levando em conta os lançamentos previstos, em particular os em órbita baixa (entre 600 e 2 mil km de altitude), se não forem tomadas medidas urgentes, a situação poderá piorar em muito, já que o número de resíduos vai aumentar de maneira exponencial.
Uma das medidas - já aplicada por alguns operadores - que pode reduzir o problema é esvaziar os depósitos dos foguetes lançadores quando terminar sua missão. Depois que este procedimento foi aplicado nos Arianes, em 1993, nenhum foguete lançador europeu explodiu.
Esta medida é apenas parcial, já que os estágios do foguete permanecem em órbita. Como exemplo, o estágio superior de um foguete lançador colocado em órbita de transferência geoestacionária (apogeu 36 mil km) continuará dando voltas em torno da Terra durante dez anos se seu perigeu passar para 200 km de altitude, e apenas cairá para desintegrar-se nas camadas densas da atmosfera dentro de 10 mil anos se sua trajetória não o levar a menos de 600 km.
O objetivo dos especialistas é levar estes estágios de foguetes para órbitas mais baixas e reduzir a duração de sua manutenção em órbita em 25 anos, antes de poder retirá-los totalmente.
À espera de soluções futuristas, como a destruição do lixo espacial através de raios laser, a única atitude realista consiste em listar os objetos detectáveis e tomar precauções.
Os filamentos de menos de 0,01 cm não necessitam de qualquer proteção, já que a blindagem dos veículos e satélites espaciais é suficientemente forte para aguentar choques com objetos de até um centímetro. Para os restos que têm entre um e dez cm de diâmetro não existe solução. Em compensação, podem ser listados e observados da Terra, o que permite a realização de manobras para evitá-los.
À espera de que seja criada uma regulamentação internacional aprovada pelas Nações Unidas, dez agências espaciais já organizaram um comitê de coordenação, o IADC (Inter Agency Space Debris Coordination Committee), que prepara um projeto de documento.





