Livros chegam à rede
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de fevereiro de 2001
Agência O Globo 
Primeira editora brasileira a publicar livros de informática no país, a Campus está se preparando para escrever (editar?) mais uma página em sua história. A partir de um programa piloto de lançamento de e-books, que acaba de entrar no ar, a empresa dá a partida num projeto de oferta de conteúdo online, que deverá ser implantado ao longo dos próximos três anos. Nesta primeira etapa serão oferecidos em caráter experimental, gratuitamente, dois livros integrais e partes (sumário, apresentação, introdução e capítulo um) de outros dois títulos. Todos os trabalhos pertencem a autores nacionais, já foram publicados em formato convencional e são considerados best-sellers da editora, com mais de 10 mil exemplares vendidos cada um.
Apesar de um banner no seu website informar que há quatro best-sellers gratuitos para download completo e parcial, os livros não poderão ser impressos e tampouco baixados, por download, para a máquina do usuário. Alegando questões de segurança, a editora informa que os textos estarão disponíveis em seu site no formato .pdf, por três meses, mas apenas para leitura (no que já se convencionou chamar, no jargão informata, de formato view-only, ou seja, de visualização somente na tela do computador).
Oferecer livros eletrônicos individuais, como nesta fase experimental do projeto, não é o objetivo da editora. É o que explica Cláudio Rothmuller, presidente da empresa: Não queremos concorrer com as livrarias virtuais, mas construir conteúdos virtuais, justifica ele, informando ainda que um dos intuitos da experiência é aumentar a audiência do site da editora, que recebe, em média, 30 mil visitantes por mês. Nós somos produtores de conteúdo no mundo real, e a partir de agora também queremos oferecê-lo no mundo virtual.
Ele não acredita que o formato restrito à visualização vá frustrar leitores em potencial, pois o internauta já estará ciente de todo o processo através do próprio site. Também não acha que isso diminuirá a importância do livro: A leitura parcial só aumenta o valor do livro. Sem falar que o valor da informação está ligado à minha capacidade de aproveitá-la. Ele lembra ainda que os livros da Campus, em geral técnicos ou de referência, são diferentes de uma obra literária, que tem seu valor pelo conjunto. Em livros mais específicos, às vezes apenas um capítulo interessa ao leitor.
A opinião é compartilhada, de certa forma, por Tom Venetianer, autor de Como vender seu peixe na Internet, um dos títulos que têm partes digitalizadas no site da Campus: Acho que a idéia vai despertar a atenção dos leitores e criar um canal de comunicação com eles, diz o escritor, brasileiro apesar do nome, que acaba de lançar, também pela Campus, E-commerce na corda bamba.
A estratégia da Campus é construir conjuntos de conteúdo para acesso on-line, nos moldes do que já começa a ser feito por sites americanos como o NetLibrary, em www.netlibrary.com e o FatBrain www.fatbrain.com. Este último pertence ao grupo Barnes & Noble, proprietário de gigantescas livrarias (reais) nos Estados Unidos. No modelo da Campus, o internauta teria à disposição para leitura, cópia ou impressão o que o presidente da Campus classifica de serviço completo, com textos isolados e uma extensa bibliografia digital sobre assuntos variados.
Para isso, a editora contaria com o seu próprio catálogo de livros, com 972 títulos, dos quais 264 são de informática. Também seriam firmadas parcerias com outras editoras. Para assegurar a viabilidade do projeto, Rothmuller busca exemplos na atualidade. Ele lembra que, hoje, se uma pessoa precisa estudar um tema como comércio eletrônico, encontra pouco material em bibliotecas tradicionais, uma série de informações dispersas e desencontradas na Web e livros a granel em livrarias. Acabará passando horas na Internet sem a menor garantia de que saciará sua pesquisa e ainda gastará rios de dinheiro comprando livros que, por necessidade, pressa ou desconhecimento, não serão necessariamente úteis. Nossa intenção é reunir na Internet um conteúdo abrangente, para que o usuário encontre num único lugar tudo o que precisa. Neste conceito digital, a unidade livro deixa de existir. Ela só existe no mundo físico, explica Rothmuller, que ainda não sabe quanto seria cobrado do internauta para ter acesso ao material eletrônico. O modelo de pagamento ainda não está definido. Poderia funcionar por assinatura, por exemplo. Mas ainda não temos todas as respostas. Estamos criando o conceito. Não queremos apenas pôr no site um livro aqui e outro acolá.


