Livro digital vai chegar às escolas públicas
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quarta-feira, 03 de julho de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
No edital do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2015, as editoras têm a possibilidade de inscrever livros didáticos digitais com conteúdo multimídia. Isso quer dizer que, em breve, os estudantes poderão utilizar recursos digitais para estudar nas escolas públicas. As editoras poderão apresentar obras em duas categorias: no Tipo 2, Obra Impressa composta por livros impressos e PDF e no Tipo 1, Obra Multimídia composta de livros digitais e livros impressos em todas as disciplinas. As editoras têm até o dia 9 de agosto para inscrever e entregar os livros digitais.
Esses modelos serão a versão do livro impresso digitalizada, porém integrados com conteúdo multimídia, chamados pelo PNLD de objetos educacionais. Estes objetos podem ser vídeos, imagens, áudios, textos, gráficos, tabelas, tutoriais, aplicações, mapas, jogos educacionais, animações, infográficos, páginas na web e outros elementos. A obra deverá "rodar" em múltiplas plataformas, como desktops, notebooks e tablets, e o conteúdo deverá ser apresentado ao professor e aluno em formato de DVD ROM. O edital passado, de 2014, já previa a inclusão de conteúdo multimídia junto às obras, porém sem integração com o livro digital e com menos possibilidades.
Fernando Fonseca Jr, gerente de Inovações e Novas Mídias da Editora FTD, deu alguns exemplos de como o aluno vai poder interagir com o livro digital: no lugar de uma foto do livro de biologia, o estudante poderá visualizar uma animação que demonstra como acontece a fagocitose. No livro de Geografia, as fotos de montanhas podem ser ampliadas, possuir link para uma galeria de fotos de outras montanhas da mesma região, ou ainda ter indicação, em um globo terrestre, do local onde a foto foi tirada. Sem contar os jogos educacionais, com o recurso de narração, que poderá permear todo o conteúdo do livro.
O aluno saberá em que momento da leitura existe um recurso multimídia que pode ser visto através de um ícone, o sinal de "+", nas páginas tanto do livro digital quanto do impresso nas obras da FTD, afirma o gerente.
Segundo Fonseca Jr, o edital não diz explicitamente o formato que deverá ser utilizado para o desenvolvimento do conteúdo multimídia, mas ele ressalva que a única solução que atende a todos os requisitos é o HTML 5, uma linguagem utilizada para apresentação de conteúdo na web. "O programa é uma iniciativa importante para o rumo de novas tecnologias que estão nas mãos de jovens e crianças. Elas vão ficar felizes de ter o conteúdo escolar em dispositivos que já estão acostumadas a usar", conclui.
"O livro não vai morrer, mas vai mudar de cara", diz, por sua vez, o editor Rui Campos Dias, coordenador da produção de conteúdo digital na Scriba Produções Didáticas, de Londrina. A empresa já participou do edital passado do PNLD da produção de conteúdo multimídia para diversas editoras brasileiras.
Para o editor, o formato digital tem o potencial de ampliar o conhecimento fornecido pelo professor em sala de aula. "Com o digital, ele consegue enriquecer a aula com vídeos, jogos e mudar a própria metodologia de trabalho. É uma mudança de concepção." Na sua visão, a tecnologia em sala de aula ainda é pensada como se fosse algo "absurdo", sendo que para um aluno, já se trata de algo corriqueiro. "Ele já tem isso dentro dele."
O uso de recursos digitais na educação pública também pode ser inclusiva. De acordo com o gerente de Inovações da FTD, as tecnologias possuem, naturalmente, esta característica. Recursos de áudio descrição e contraste e aumento do tamanho da letra para deficientes visuais já são possibilitados pelos navegadores (browsers).

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