Exemplo de que a estrutura de uma escola puramente pública não impede que sejam adotadas metodologias mais próximas à linguagem do aluno é o projeto da professor Denise Maria Ramos Lugli, que leciona a disciplina de Artes no Colégio Estadual Presidente Kennedy, em Rolândia. "Enquanto a ciência e a tecnologia transformaram a sociedade na qual os alunos estão inseridos de forma "gritante", a sala de aula pouco mudou", critica Denise, no início de um artigo resultante de seu trabalho. "A tecnologia e a mídia convocam os educadores a repensar a atitude pedagógica tradicional e abrem possibilidade para uma nova abordagem do ensino na sala de aula", continua.
Em seu projeto, Denise estimula os alunos do 9º ano a trabalharem com diferentes linguagens digitais relacionadas à imagem, da fotografia ao vídeo. Os estudantes fazem fotografias perto de suas casas e perto da escola com câmeras fotográficas ou telefones celulares. E então, as imagens são levadas à aula e analisadas. Também são estudados os gêneros da fotografia, como o fotojornalismo, a fotografia artística e a fotografia na moda.
No âmbito do vídeo, os alunos produziram flipbooks - "para entender o princípio do cinema", justifica a professora - e vídeo-clipes. Para filmar, eles usaram câmeras fotográficas ou dividiram entre o grupo o custo da contratação de um profissional.
Mas o mais importante a ser avaliado, segundo a professora, não é a qualidade da fotografia ou do filme, e sim a criatividade. "Sempre gostei de tecnologia e vejo que os alunos são apaixonados por isso. Você consegue envolvê-los melhor quando fala a língua deles", falou à reportagem. (M.F.C.)

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