Laser pode acabar com o ronco
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quarta-feira, 05 de março de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Ivo AkioO Guiness registra o caso de um homem que roncava como uma britadeiraInimigo número um da tranquilidade noturna, o ronco produz um incômodo tão grande que muitos casais atribuem a ele boa parte das brigas e, em casos mais extremos, a separação conjugal. Para quem não vive o problema pode parecer total exagero, mas não é. O Guiness, Livro dos Recordes, tem o registro de um homem cujo ronco atingia quase cem decibéis, o que corresponde ao som de uma britadeira. No entanto, isso não é tão comum. Os médicos classificam o ronco em quatro níveis: leve, moderado, grave e dramático.
O otorrinolaringologista Domênico Modesto destaca que é grande a procura de jovens casais pela solução do mal. A indicação do especialista é a cirurgia a laser, que pode resolver definitivamente o problema. Esta já é uma cirurgia consagrada, com total segurança, afirma.
Dados médicos indicam que cerca de um quarto da população mundial ronca. As maiores vítimas são homens, entre 35 e 60 anos. Entretanto, por trás do inoportuno barulho produzido pelo ronco pode estar uma doença perigosa, a apnéia, que chega a levar à morte. Por isso, antes de qualquer tratamento, exames específicos devem ser realizados.
O primeiro passo a ser tomado é uma avaliação detalhada do nariz. Atualmente se faz um exame chamado nasofaringolaringoscopia, através do qual obtém-se o diagnóstico do problema, explica Modesto que completa: também deve ser feita a polissonografia, para verificar se o indivíduo tem apnéia noturna. Hoje já se chegou a um consenso de que ronco é uma coisa e apnéia é uma patologia mais séria.
A polissonografia registra diversos movimentos do corpo, como os oculares, respiratórios, contração muscular do queixo e fluxo aéreo. Para submeter-se ao exame, o paciente dorme uma noite em laboratório, com vários eletrodos ligados a seu corpo. O objetivo do exame é reproduzir uma noite de sono normal para, através dela, identificar as causas da disfunção.
CausasPraticamente descartada a hipótese de hereditariedade, Modesto indica dois fatores como principais causadores do ronco: O primeiro é a obstrução nasal, ou seja, o famoso nariz tapado. Isso pode ocorrer por obstrução mecânica, por causa da cartilagem torta do nariz, ou por hipertrofia de cornetos, que são três estruturas que temos em cada um dos lados do nariz, diz ele. Tem ainda o caso de pessoas que têm a via aérea superior por algum motivo obstruída. E, também, a má formação do palato, que pode apresentar-se flácido ou alongado.
O especialista observa que há casos em que pessoas que engordaram muito começam a roncar. Isso acontece porque o tecido adiposo muda a anatomia do pescoço, provocando o ronco. Muitas vezes, quando uma pessoa obesa me procura, recomendo, antes, uma dieta, acrescenta. O ronco pode, ainda, surgir por causa da velhice, e aumentar de intensidade com o decorrer dos anos.
Uma vez realizados os exames necessários, o próximo passo é a cirurgia. Não há qualquer contra-indicação, frisa Modesto. A única recomendação é que o paciente já esteja na idade adulta. É raro fazermos uma cirurgia em pacientes com menos de 25 anos.
O médico diz que a diferença básica entre a cirurgia a laser e a convencional é com relação à precisão, rapidez e sangramento. Na verdade, o laser possibilitou, primeiro, eliminar um problema grande que é o sangramento. Essa região apresentava um sangramento significativo durante a cirurgia feita com o bisturi. O laser corta e cauteriza ao mesmo tempo, conta. No pós-operatório, o risco de sangramento é menor. E devemos considerar a questão da precisão. Agora, com relação à dor, a sensação é a mesma. O laser não conseguiu atenuar isso. Mas é algo totalmente suportável, avisa Modesto.
SimplicidadeSe o nome da cirurgia do ronco é complicado, úvulopalatolaringoplastia, a cirurgia em si é bem simples. Leva de 15 a 20 minutos, em média. A anestesia pode ser local e a cirurgia é realizada com o paciente acordado , garante o otorrinolaringologista. O mesmo acontece com a recuperação do operado, que é aconselhado a seguir uma dieta leve, durante dois ou três dias e ingerir bastante líquido.
O melhor de tudo é o resultado garantido e o fim das cotoveladas raivosas do companheiro que não consegue dormir por causa do barulho. Essa é uma cirurgia consagrada. Com grande margem de sucesso. Caso isso não aconteça, o paciente deve voltar a procurar o médico, confirma Modesto.
A técnica cirurgica foi desenvolvida nos Estados Unidos, há mais ou menos 10 anos. Ela só foi definida e aceita há cerca de três ou quatro anos. Antes disso houve muita discussão sobre o assunto. E o resultado comprovado, frisa o especialista.
Informações sobre a cirurgia do ronco podem ser obtidas com o Dr. Domênico Modesto, pelo telefone (011) 539-0069. Ou, em Londrina, com o Dr. Francisco José Coser, fone (043) 324-1123.


