Encaixando tijolinhos coloridos aqui e ali, as crianças de hoje não arquitetam apenas casinhas, como as de (não muito) antigamente faziam. Agora, enquanto brincam na escola com o bom e velho Lego, meninos e meninas aprendem a programar no computador. São capazes até de executar projetos complexos como o de uma estufa, com sensores que controlam a temperatura e tornam o clima mais propício ao crescimento de uma plantinha.
Fazem isso graças a kits pedagógicos que trazem - além de peças Lego - software e conexões para o microcomputador. A Lego Dacta - braço educacional do Lego Group - desenvolveu esses kits pedagógicos, apresentados oficialmente aos educadores brasileiros na última edição do congresso e feira Educar, que aconteceu em maio, em São Paulo. Quem trouxe a novidade para o Brasil foi a Edacom Tecnologia, a distribuidora oficial.
Como não são temáticos, os kits podem ser usados em aulas de qualquer disciplina, das mais diferentes séries, da pré-escola ao Segundo Grau. Ou seja, o que muda é a aplicação que o professor dá ao material pedagógico que tem em mãos. Os professores recebem manuais e fichas com sugestões de exercícios também produzidos pela Lego Dacta.
A quantidade de aplicações é tamanha que há até quem use as peças em projetos de engenharia, segundo o professor Mauro Otto, coordenador do departamento de eletrônica e telecomunicações do Colégio Lemos de Castro, a primeira escola do Rio de Janeiro a adotar oficialmente o material Lego Dacta.
Os tijolinhos são atóxicos e por isso até os mais pequeninos podem usá-los sem susto. Para eles, há caixas com rodas, vigas, engrenagens e blocos. Todas em tamanho grande, para evitar que os mais gulosos engulam as peças. Os eixos são dobráveis também para evitar que os petizes se machuquem com a brincadeira.
Para crianças e adolescentes, há kits com motores e pilhas. Para os mais adiantados, há até um software para projetos em CAD, elaborado pela própria Autodesk. O software está em fase de tradução e por isso ainda não foi lançado no Brasil.
Para o professor, Mauro Otto, a escola já superou a fase em que aprender a usar o computador era o objetivo final das aulas de informática. ‘‘Hoje sabemos que a máquina é apenas mais uma ferramenta pedagógica para que o aluno continue se desenvolvendo. Para Ana Lígia Medeiros, pedagoga com especialização em informática pedagógica, a grande vantagem é que os alunos aprendem a estudar sozinhos.
‘‘Eles chegam a conclusões por si próprios’’, diz ela. Para o professor Mauro Otto o uso dos kits ainda tem outro proveito: ‘‘Esses kits me lembram muito aquele tempo, em que as crianças usavam muito mais a criatividade.’’
Serviço: Edacom, 011-441-4355. Dependendo do que trazem, os kits podem custar entre R$ 160 e R$ 480.

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