Kit facilita expressão gráfica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de junho de 1997
Das Agências 
O psicólogo Francisco José de Lima, pós graduando e pesquisador do Laboratório de Psicofísica e Percepção da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto (FFCL-RP), desenvolveu aparelho para desenho que permite a expressão gráfica de deficientes visuais.
O equipamento é composto de uma prancheta (com base de borracha especial, onde pode ser fixado papel tipo sulfite, jornal ou acetato) e de uma caneta para desenho em alto relevo M/H 1.0. Construída em aço prata carbono, o que garante alta durabilidade, a extremidade da caneta possui um ângulo específico e retrátil que, assemelhando-se a um cone, perfura o papel, trazendo-o para cima e produzindo relevo. Com a sequência de pontos tem-se o desenho, que pode ser percebido pelas mãos de deficientes visuais e também visto por pessoas normais. Nas laterais, existem pontos a cada centímetro, como uma régua, o que permite ao deficiente a noção das dimensões de seu desenho.
De acordo com o pesquisador da USP, equipamentos similares fabricados no exterior custam caro, o que os tornam inacessíveis à maioria dos deficientes visuais. O nosso kit pode ser produzido ao custo R$ 15,00 e, se industrializado, pode baixar em até 80%, revela Lima. Para ele, o equipamento poderá facilitar também o aprendizado do alfabeto normal pelos deficientes.
Estudo da percepção Há mais de dois anos, sob a orientação do professor José Aparecido da Silva, diretor da FFCL-RP, Lima vem pesquisando a área de Psicofísica Sensorial Estudo da Percepção. Ou seja, de como o tato do ser humano captura, entende e interpreta certas configurações. Em seu campo de pesquisa, ele tenta descobrir como o cérebro processa uma imagem, como, por exemplo, a representação de um teclado ao colocarmos a mão sobre ele. Investigo se, nesta interpretação, existe uma interferência da visão ou de uma imagem visual, explica. Comparamos o cego congênito com o cego adventício que é aquele que já enxergou e perdeu a visão , e com quem que enxerga normalmente e que terá sua visão vedada. Apresentamos objetos para a pessoa tatear e representar num desenho o que ela sentiu. A partir daí, passamos a comparar estas representações, tentando descobrir se existiu influência da experiência visual na representação do objeto.
Os interessados podem obter mais informações pelos telefones (016) 602-3728 ou 602-3729.


