Roberto Barros de Carvalho
Ciência Hoje
Depois de passar quatro anos no Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), a coleção arqueológica Harold Walter, a mais importante de Minas Gerais, está de volta ao seu local de origem, o Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, onde ficará à disposição de pesquisadores e futuramente será exposta à visitação pública. Sob a coordenação do bioantropólogo Walter Neves, que contou com o apoio de estudantes e técnicos do Instituto, o material foi inicialmente documentado e limpo. Em seguida, as peças fragmentadas foram reconstituídas e toda a coleção inventariada.
Com cerca de seis mil peças – entre restos humanos e paleontológicos de osso e chifre coletados em sítios da região de Lagoa Santa e adjacências, em Minas Gerais –, a coleção Harold Walter formou-se ao longo dos anos 30, 40 e 50 e foi doada à UFMG pelos familiares do colecionador em 1975, depois de ficar anos armazenada no porão da casa onde viviam em Belo Horizonte. O laboratório da USP cuidou exclusivamente da recuperação dos restos humanos, que somam 2.650 peças, a maior e mais significativa parte da coleção.
O destaque são 38 crânios do chamado ‘‘homem de Lagoa Santa’’, que viveu entre sete a 12 mil anos atrás na região central de Minas Gerais. Foram reconstituídos integral ou parcialemente os fragmentos ósseos de nada menos que 30 desses crânios. Trata-se da maior coleção de crânios do ‘‘homem de Lagoa Santa’’ depositada em um museu, superando até mesmo a coleção feita no século passado pelo célebre paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801 – 1880) e enviada ao Museu de Zooologia de Copenhague.
Para fins de estudos da arqueologia regional, Lagoa Santa é o nome genérico dado à área, onde foram feitas muitas explorações e descobertas científicas relevantes. Mas a região estende-se para além dos limites do município de Lagoa Santa, a 40 km de Belo Horizonte, abrangendo as localidades de Pedro Leopoldo, Matozinhos, Confins e Sete Lagoas. O vale do Rio das Velhas, há alguns milhões de anos um mar paleozóico de pouca profundidade, corta esses municípios, e seus numerosos rochedos calcários e penhascos são ricos em abrigos e cavernas. A região ficou conhecida internacionalmente por ter conservado fauna extinta de mamíferos do final do Pleistoceno (há cerca de 11 mil anos) e vestígios do homem primitivo.A mais importante coleção arqueológica de Minas Gerais volta ao Estado e está exposta no Museu de História Natural da UFMG
ReproduçãoCrânio e mandíbula de indivíduo do sexo masculino conhecido como ‘‘Homem da Lagoa Santa’’, encontrado em Confins (MG)ReproduçãoPontas de cristal de rocha e quartzo leitoso da Coleção H.V.Walter recolhidas em Sumidouro, Confins e Marciano

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