A questão sobre se os jogos violentos de computação levam a um comportamento também violento na vida real desatou uma acalorada discussão nos Estados Unidos. Isso porque Eric Harris e Dylan Klebold, os autores do recente massacre na escola do Colorado, haviam contado a amigos sobre sua paixão por jogos de computação violentos como ‘‘Doom’’, ‘‘Quake’’ e ‘‘Redneck Rampage’’.
Em todos esses jogos a finalidade última é matar o maior número de monstros ou pessoas possível, usando uma variedade de armas mortíferas e cruéis à medida que o programa avança.
Diz-se que os dois jovens, tal como muitos adolescentes amantes de jogos sangrentos, viviam mergulhados em batalhas virtuais. ‘‘Jogavam horas a fio’’, disse Nick Baumgart, um rapaz de 17 anos que conhecia Klebold desde a escola primária.
Quem conhece estes jogos está consciente de seu poder de viciar. Conhecidos como ‘‘matadores na primeira pessoa’’ ou ‘‘títulos de ação tridimensional’’, todos esses jogos baseiam seu poder em sua capacidade de mergulhar o jogador em um mundo virtual no qual a ação é vista como se o monitor do computador fosse os próprios olhos e ouvidos.
A única coisa visível para o jogador é a pistola ou a arma com a qual ele mata enquanto se arrasta através de salas escuras e cheias de sangue ou por corredores em que se ocultam perigosos inimigos. O objetivo do jogo é matar ou ser morto, e, graças às mais modernas técnicas de animação tridimensional, as mortes são apresentadas o mais graficamente possível.
Esses jogos registram vendas milionários em todo o mudo e figuram quase sempre na lista dos mais vendidos. São tão apaixonantes que a saída ao mercado de um novo título de software de ‘‘primeira pessoa’’ é anunciada com meses e às vezes anos de antecedência pelos grandes fabricantes. Na rede Internet, sites criados sobre estes jogos como ‘‘Deathmatcher.com’’ ou ‘‘Assassin 3D’’ servem de foro de discussão ou para o intercâmbio de programas.
Quando estes jogos de violência cibernética desenfreada apareceram no começo dos anos 80, sua clientela era recrutada em grande parte entre adultos especialistas em computação. Agora, entretanto, depois que sua divulgação aumentou a nível mundial, na mesma medida de seu grau de violência, eles se transformaram em jogos normais para muitas crianças - e não é de se espantar - servem a muitas delas como introdução no mundo da informática.
‘‘Esses jogos são o que realmente empolga as crianças para a computação’’, diz um representante da America Computer Experience, uma empresa que organiza nos Estados Unidos acampamentos de férias voltados para a computação para crianças em idade escolar. ‘‘Nós não lhes damos jogos violentos, mas às vezes eles mesmos os trazem escondidos’’, diz ele.
‘‘Quando tomei conhecimento dos jogos de computação, eu jogava o Wolfenstein e o Duke Nukem, sem pensar na violência’’, conta Jeff Saunders, de 41 anos, pai de família de Harrisburg, Pennsylvannia. ‘‘Mas agora quando vejo meus filhos jogando os mesmos jogos, eu os afasto do computador, devido à violência.’’
Poucos acreditam que a violência dos jogos de computação afeta todas as crianças da mesma forma, mas há aqueles que advertem que, se caírem em mãos erradas, eles podem transmitir uma mortífera mensagem. E as empresas que os produzem estão sendo indiciadas por isso.
Nos Estados Unidos, os pais de três adolescentes baleados em um escola de Kentucky em 1997 entraram recentemente com uma ação judicial contra vários fabricantes de jogos de computação violentos. Os desesperados pais argumentaram que o principal autor do crime, Michael Carnel, que na época tinha 14 anos, agiu influenciado pela violência dos mundos virtuais criados por esses jogos.
‘‘Queremos castigar a indústria dos videogames’’, disse Jack Thompson, o advogado que representa as famílias. Entre os títulos mencionados na ação, estão ‘‘Doom’’ e ‘‘Mortal Combat’’.
Apesar da controvérsia que provocam, parece não ter fim o número de títulos de novos jogos violentos que aparecem no comércio, apesar de muitos terem uma péssima qualidade técnica. Atualmente, existem no mercado mais de vinte títulos de jogos do tipo ‘‘assassinato em primeira pessoa’’.Bill Kaye/LucasFilm/France PresseO ator Ray Park interpreta o personagem Lord Darth Maul, no primeiro episódio da saga Guerra nas Estrelas (A Ameaça Fantasma), que estréia nesta quarta-feira nos Estados Unidos. O filme inspira dois jogos da LucasArts para PC, que chegam ao Brasil no final do mêsJay Dougherty,
Deutsche Presse Agentur

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