Jogos podem se tornar hobby ou vício
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de agosto de 2000
Agência OGlobo Do Rio 
Carlos Alberto Passos, de 50 anos, é outro aficionado por games. Webmaster que começou a jogar para acompanhar os filhos, acabou tão alucinado com a brincadeira que abriu uma locadora, e hoje assume o seu vício em jogos de computador sem qualquer timidez.
Carlos Alberto passa as madrugadas no micro, jogando e pesquisando as novidades da área. Entre os seus jogos preferidos, está o Simcity, onde o usuário é o prefeito de uma cidade imaginária. Para ele, o estereótipo de que game é coisa de adolescente faz um bem incrível: assim sente-se mais jovem.
O único problema dos gamemaníacos, fora as noites insones, é bancar o passatempo. Um CD-Rom de jogos custa, no mínimo, R$ 60. Há muitos, porém, que acabam encontrando saídas não muito ortodoxas para contornar este problema ou, pelo menos, para diminuir o tamanho do prejuízo. O analista de sistemas Marcos Duarte, de 52 anos, é um deles. Ele recorre habitualmente aos CD-Roms piratas para que a brincadeira não pese tanto no bolso. Experimenta todos os jogos e depois procura nas lojas a versão original daqueles dos quais gostou, para ter direito ao manual.
Hoje, para Marcos, os games são apenas curtição, uma terapia que encontrou para se desligar do estresse do trabalho. Mesmo assim, volta e meia entra madrugada adentro, disputando corridas, que são seus jogos preferidos. Algumas vezes exagera, e escuta as reclamações da mulher, Yane. Nada que atrapalhe muito a rotina do casal ou da casa... atualmente! Mas já houve época em que os joguinhos ocupavam tanto do seu dia que não sobrava tempo algum para as obrigações domésticas.
Chegava do trabalho e tinha de sentar para fazer as contas do mês, mas acabava indo jogar para relaxar. Quando me dava conta, já era tarde. Ia dormir e deixava as contas para depois, lembra Marcos, sem saudades. As coisas acabavam enrolando demais.
Ele não gosta dos consoles porque não são tão interativos: sua fissura é com os CD-ROMs (tem uma coleção com cerca de 300), de preferência corridas e simuladores de vôo. Tem cinco computadores e costuma jogar em rede com os dois filhos mais novos. Coisa de adolescente? Para ele, já foi o tempo em que se pensava assim. Hoje, a maioria das pessoas usa o computador para trabalhar. Com isso, os jogos estão mais perto dos adultos.


