Agência O Globo
do Rio
Um jogo em que não é preciso decidir entre ser apenas soldado, marinheiro ou piloto. Você pode ser general, almirante ou brigadeiro, e muito mais: diplomata, ministro, político, presidente de um país. Melhor ainda, banqueiro, secretário do Tesouro... e até líder terrorista. Assim é o ‘‘World Powers’’ (WP), um game de estratégia que está começando a recrutar participantes na Internet (veja quadro ao lado) e que promete agradar tanto aos fãs dos jogos mais ‘‘cerebrais’’ quanto aos adoradores dos jogos que exigem maior habilidade manual.
O jogo combina regras complexas com os simuladores da Jane’s Combat Simulations (empresa americana especializada em simulação de armamentos de terra, mar e ar; ela também edita publicações sobre o tema).
Os países participantes do WP no momento são Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha e Inglaterra. No ponto em que a confusão global começa, a Rússia acaba de sofrer novo golpe comunista (os governantes anteriores foram executados ao vivo na TV). Já a França passa por um escândalo financeiro que desviou quatro milhões de francos para cofres ingleses e americanos.
A Alemanha, por sua vez, está bem economicamente, mas ao mesmo tempo apreensiva com os recursos petrolíferos em que os russos têm participação no antigo lado oriental. E os EUA são a única superpotência (o jogo é americano, queriam o quê?!).
Para entrar, o jogador escolhe seu país e preenche um formulário no administrador do sistema (que eles chamam de ’’God’’ Administrator) dando seu e-mail, número de ICQ e especificando que personagem pretende viver na simulação. Além disso, deve fornecer uma lista dos games que usualmente joga.
Cada nação vem com sua própria mailing list e os presidentes dos atuais países têm seus números de ICQ expostos no site oficial. Alguns já estão construindo suas próprias homepages.
‘‘Uma vez inscrito, o gamer começa a se comunicar com seus pares e com os personagens aliados ou adversários’’, disse Jim Skimming, diretor geral da simulação, em entrevista por e-mail. ‘‘Os generais ou comandantes de Estado-Maior marcam um horário para as batalhas online e depois enviam um arquivo com os resultados para o administrador. Este, então, fará um registro do que aconteceu e anotará as baixas de ambos os lados.’’
Os games usados no World Powers são: o Fleet Commander (para as batalhas navais); o US Air Force Fighters Anthology (para confrontos aéreos); e a série Rainbow Six, para operações terrestres e atividades terroristas.
O sistema econômico do game, baseado num padrão ouro fictício, permite a existência de bancos privados, e os dirigentes devem ficar atentos ainda à produção industrial de seus países para não entrar num conflito com reservas insuficientes. É possível ainda efetuar a compra de grandes pedaços de terra e, eventualmente, de países neutros inteirinhos.
Pergunta-se: não será informação demais para um jogador só mexer com e-mail, ICQ e simulações diferentes ao mesmo tempo?
‘‘Na verdade, não’’, diz Skimming. ‘‘Sua atividade varia de acordo com seu perfil. Os generais não mexem tanto com as listas de discussão, usando mais o ICQ para se comunicar com suas tropas. Os políticos e ministros não se metem nas batalhas, mas são mais ativos nas listas.’’
O jogador brasileiro Eduardo Blum, que é ‘‘membro’’ do Congresso americano no game, diz que a idéia do ‘‘World Powers’’ é boa, mas admite que ela só peca um pouco pelo uso dos simuladores.
A batalha ainda está bem no comecinho e, segundo Skimming, será possível adicionar novos países à medida que novos jogadores forem se inscrevendo.

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