O Japão deu um passo hesitante a caminho da aprovação da pílula anticoncepcional no último dia 16 depois que um comitê governamental suavizou sua posição negativa em relação aos contraceptivos orais.
A conclusão do comitê de que a aprovação da pílula poderia ajudar a disseminar a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis enraiveceu os que acreditam que os assuntos devem ser tratados separadamente. No entanto, também houve alívio pelo fato do comitê não ter se oposto completamente à pílula.
‘‘Conseguimos dar um passo importante; o relatório do comitê agora pode ser interpretado como dando o sinal verde para a aprovação da pílula’’, disse uma porta-voz de uma empresa farmacêutica que não quis se identificar.
O comitê de saúde pública preocupou grupos de mulheres e empresas farmacêuticas quando, em encontro no mês passado, alguns integrantes disseram que eram contra a aprovação da pílula porque isto poderia desencorajar o uso da camisinha e ajudar a espalhar a Aids.
As autoridades também disseram que a conclusão do comitê - que pediu uma grande campanha pública sobre o uso eficaz dos preservativos não era negativa.
‘‘O comitê não quer ser interpretado como tendo dado o sinal verde para a pílula, mas não tem uma opinião negativa’’, disse um oficial do Ministério da Saúde.
A questão agora será discutida pelo Conselho Farmacêutico do Ministério da Saúde; na realidade, o último grande obstáculo a ser vencido antes da aprovação oficial.
LutaAs mulheres japonesas lutam há mais de 30 anos pela aprovação da pílula, sendo que o país é a única nação industrializada que proíbe o medicamento com fins contraceptivos. Os anticoncepcionais em doses médias são aceitos unicamente para desordens menstruais.
As esperanças de que as mulheres japonesas finalmente teriam acesso à pílula aumentaram quando o ministro da Saúde, Naoto Kan, disse que esperava uma decisão favorável este ano.
Críticos da proibição da pílula haviam questionado a eficácia da comissão de saúde pública - cujos membros não são especialistas no anticoncepcional - e lembraram que relacionar contracepção com Aids era um erro.
‘‘Estudos científicos revelaram que não existe relação entre a Aids e a pílula. Ainda assim, há pessoas que insistem neste ponto, demonstrando pouquíssimo interesse na saúde da mulher’’, conta Akiko Domoto, representante do Partido Sakigake e membro da Câmara Alta.
Os críticos sustentam também que o Ministério da Saúde está hipersensibilizado em relação à Aids. Num escândalo que deixou o povo japonês estupefato, funcionários do governo foram processados por acusações de aceitar produtos sanguíneos contaminados com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), causador da Aids, que acabaram infectando hemofílicos.
Especialistas em planejamento familiar afirmam que a introdução dos anticoncepcionais reduziria o número de abortos no Japão. Apesar das cifras oficiais colocarem o número de abortos abaixo dos 400 mil anuais, alguns estudos mostram que cerca de 30% das gestações no país são interrompidas.

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