ITAL cria novas embalagens metálicas
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Liana John Agência Estado 
Arquivo FolhaCom a nova tecnologia é possível reduzir a espessura do metal utilizado no fundo e na tampa das latasUma invenção brasileira - a micro-regravação - deverá contribuir para a redução de até 10% dos custos das embalagens metálicas de alimentos, além de reduzir o consumo de recursos naturais. A regravação, no linguajar dos técnicos em embalagens, é o dobramento que une o fundo e a tampa ao cilindro, que forma o corpo da lata. Normalmente essa dobra tem 2,9mm de altura. Na micro-regravação, a altura foi reduzida para 1,45mm. Com isso, agora é possível reduzir a espessura do metal utilizado na tampa e no fundo das latas. Dos 0,21mm utilizados na maioria das latas do mercado, agora já se pode passar para 0,16 ou 0,14mm.
Estamos testando espessuras ainda menores, de 0,12 a 0,08mm, adianta Roger Marcelo Soler, da Kramer, empresa que desenvolveu a micro-regravação. O processo já foi patenteado em 12 países - Alemanha, Áustria, Equador, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Malásia, México, Peru e Suíça - além do Brasil. E foram requeridas patentes em 20 outros países.
Para o sistema ser implantado, entretanto, era preciso alterar as normas de padronização de embalagens metálicas, elaboradas de acordo com o antigo processo. Pesquisamos a eficiência do selamento, ou seja, a ausência de trocas gasosas ou líquidas entre o interior da lata e o exterior, de forma a garantir a conservação do alimento embalado pelo novo sistema, explica Sílvia Tondella Dantas, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) (http://www.ital.org.br/index.html).
A micro-regravação já passou no bioteste de hermeticidade. Nele, as embalagens seladas, contendo um alimento de baixa acidez (o mais problemático) como a ervilha em conserva, é mergulhado num caldo de bactérias a uma temperatura ideal para as bactérias. Se houver troca gasosa ou líquida as bactérias contaminam o alimento e produzem gases, estufando a lata. O desempenho foi igual ao das latas comuns, afirma Sílvia.
A micro regravação também passou no teste de resistência a impactos (onde se simulam os impactos possíveis na linha de produção normal) e agora está sendo testada a resistência à vibração e impactos inerentes ao transporte. O ITAL analisou ainda 30 parâmetros dimensionais da micro-regravação para estabelecer novas normas de padronização. E, agora, está avaliando o mercado de folhas metálicas de baixa espessura, num projeto conjunto com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
MarketingOito pesquisadores do ITAL trabalharam nas diversas avaliações da micro-regravação. Segundo Sílvia Dantas, o uso de latas com menor espessura, além de trazer maior competitividade, também tem maior apelo de marketing, na medida em que há economia real de recursos minerais, na liga que compõe o aço das latas. Nosso objetivo era ver a economia das embalagens repassada ao consumidor final, observa Roger Soler. Infelizmente isso não foi possível junto aos fabricantes de latas, de modo que agora estamos trabalhando com as empresas consumidoras de latas, ou seja, as indústrias de alimentos. Estas indústrias estão licenciando a micro-regravação e obrigando seus fornecedores de embalagens a adotarem as alterações necessárias em sua linha de produção.
Para o consumidor final, a diferença no preço dos produtos poderá ser significativa. A lata da ervilha em conserva corresponde a 75% do preço final. Uma economia de 10% no preço da lata significa uma redução efetiva de 7,5% no preço final do produto, calcula Soler.
Maiores informações sobre a padronização da micro-regravação podem ser obtidas no endereço eletrônico de Sílvia Dantas silviadital.org.br e os detalhes sobre licenciamento e processo de micro-regravação podem ser obtidos no telefone (011) 739-24611, com Roger Soler.


