Investimentos salvam sistemas no ano 2000
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
Arquivo FolhaComo a maioria das empresas utilizam sistemas antigos, poucas possuem softwares capazes de realizar sem erros a conversão de datasA virada do ano 2000 exige mais do que reflexos rápidos dos usuários de computadores. Grandes empresas, órgãos públicos e até mesmo os usuários domésticos devem começar a correr atrás de informações sobre quais passos seguir para evitar a perda de arquivos ou o travamento total do sistema. As dicas dadas pelos experts vão desde a avaliação do horizonte de falhas dos sistemas, com o uso de softwares adequados, à contratação de consultorias especializadas, capazes de solucionar determinados tipos de problemas em menos tempo.
A atenção dos especialistas está voltada principalmente para os grandes usuários de computadores, como os bancos e empresas que utilizam a informática em quase todas as suas atividades. Como a maioria delas utIlizam sistemas antigos, poucas possuem softwares capazes de realizar sem erros a conversão de datas. A saída, então, é planejar a troca de sistemas, além de fazer a atualização de todos os dados, arquivos e interfaces. No Brasil, até agora, apenas 10 ou 15 empresas já estão iniciando este processo.
O custo previsto destas adaptações é alto, mas segundo o diretor de Marketing da Sigma Dataserv, Luis Eduardo de Manuel, ainda é infinitamente menor do que os prejuízos causados pelo travamento dos sistemas. Ele calcula que um grande banco, que utiliza em média cerca de 30 mil programas, gaste aproximadamente US$ 510 milhões para adaptar seus programas. Para concluir o processo de atualização de arquivos e softwares em apenas um ano, o mesmo banco precisaria ter 300 especialistas trabalhando em período integral. Os números parecem exagerados, mas a realidade é exatamente esta, afirma o diretor de Marketing.
Além da sugestão de contratação de consultorias especializadas, os experts recomendam a compra de determinados softwares, capazes de fazer diagnósticos de quais mudanças são necessárias e também de realizar a conversão de datas e senhas, que muitas vezes possuem a mesma lógica de combinação. Vários destes programas - como o RA (IBM), Gladstone (GSP), MLX 2000 (Formal Systems) e o Revolver 2000 versão 4.0 (Microfocus) - estão disponíveis no Brasil, mas costumam ser de uso restrito dos sistemas de grande porte, que possuem grandes quantidades de informação. Alguns destes programas, segundo o diretor técnico da Sigma Dataserv, Dante Barleta Filho, chegam a custar até US$ 100 mil.
Segundo Barleta, existem duas características que devem orientar a escolha de quais soluções adotadas. O que deve pesar da decisão dos usuários, explica o diretor técnico, é o porte do sistema e o tempo disponível para efetuar as transformações. Como no exemplo dos bancos - que utiliza muitos programas e possui pouco tempo disponível para fazer as mudanças - o mais adequado é contratar consultorias especializadas. Em Curitiba, várias empresas, entre elas a Sigma Dataserv Informática, prestam este tipo de serviço. Os escritórios regionais da IBM - que no ano passado criou um setor exclusivo para tentar solucionar os problemas da virada do século, chamado de Soluções para o Ano 2000 - também oferecem consultoria sobre o tema.
Para os usuários domésticos, no entanto, as recomedações são menores e menos assustadoras. A maioria dos computadores utilizados em casa ou em pequenos sistemas já utilizam softwares preparados para a mudança de ano. É o caso dos micros que utilizam determinados tipos de Windows 95, que possuem na embalagem o aviso A Prova do Ano 2000, afixados pela Microsoft. Os PCs do tipo Pentium 1.6 e todos os Machintosh utilizam sistemas de datas com quatro dígitos, e portanto não terão problemas para compreender a mudança de ano.


