Inverno europeu tem ares de primavera
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998
France Presse 
ReproduçãoNa chuvosa costa da Galícia (Espanha) as pessoas têm conseguido tomar banho de sol: fenômeno surpreende meteorologistasA primavera sorri no inverno europeu: florescem as cerejeiras e sai de hibernação o porco-espinho sob o fraco sol que acaricia o Velho Continente, e ficam inquietos os cientistas que se indagam sobre o El Ni¤o.
O responsável direto por esta insólita situação é um anticiclone instalado há vários dias na França e apoiado por correntes subtropicais que vêm da África do Norte para as tradicionalmente brumosas ilhas britânicas.
Os cientistas se preocupam, sem poder dar uma resposta segura à questão de saber se o fenômeno é uma consequência do efeito estufa que reaquece o ar ou de um simples capricho climático.
Diversos especialistas crêem ver na atual situação os efeitos do El Ni¤o, a famosa corrente quente do Oceano Pacífico que provoca desordens e até catástrofes climáticas em diversos lugares do planeta, responsável, por exemplo, pelos rudes invernos do Canadá e Japão e cujos efeitos se sentem até no sul da Europa.
Os especialistas assinalam um fato eloquente: com exceção de 1949, os dez anos mais quentes do século ocorreram desde 1980 em diante, o que provaria a tendência para o reaquecimento geral da atmosfera.
Os gritos de alarme se repetem: este reaquecimento se deve à atividade humana, cujos inumeráveis gases poluentes bloqueiam o processo normal de equilíbrio térmico do planeta.
Esses gases, acumulados em altitude, provocam um efeito estufa ao reunir uma enorme quantidade de calorias que não podem ser expulsas para o espaço e que, em consequência, fazem subir a temperatura da Terra.
No momento, e provavelmente ainda por uma semana, vários recordes de calor estão sendo batidos em diversas regiões, a tal ponto que na chuvosa Galícia (Espanha) as pessoas vão tomar banho de sol nas praias.
Na França, o recorde de alta temperatura para esta época - que datava de 1873 - foi batido este mês em Paris.
A contrapartida na capital francesa, como em outras grandes cidades européias, é um aumento da poluição atmosférica: aumentam as taxas de dióxido de nitrogênio, a tal ponto que em Paris se lançou um alerta concernente à circulação de carros.
A preocupação quanto ao calor é relativa, indicam, no entanto, os serviços meteorológicos franceses, precisando que se trata de um acidente banal e que não pode ser associados ao El Ni¤o.
Os especialistas acrescentaram que o inverno não terminou e que a temperatura começará a cair esta semana podendo chegar a 10 graus abaixo de zero.
Os esportistas que viram consternados nestes últimos dias se derreter a neve nos campos de esqui podem, portanto, respirar tranquilos porque o frio trará tudo de volta à normalidade: as flores das cerejeiras morrerão e o porco-espinho dormirá de novo achando que tudo não passou de um sonho.


