Invenções e patentes
Para Andreas Pavel, a exemplo do que aconteceu em 1972 com o walkman, sua nova invenção veio contra a ordem natural das coisas. No caso do walkman, a indústria fonográfica da época vivia o pensamento de que quanto maior o equipamento, melhor seria o som, e não havia nenhum movimento em direção a um aparelho portátil. Do mesmo modo, agora, ele viu que a telefonia foi desenvolvida para a fala, sem preocupação em transmitir as emoções da vida real, como pretende o seu invento.
Sobre o walkman, Andreas Pavel passou 27 anos tentando provar ao mundo que tinha sido ele o inventor do aparelho portátil que reproduzia fitas K7 em qualquer lugar. Gastou US$ 3 milhões com advogados e processos contra US$ 10 milhões gastos pela Sony, que em 1979 lançou seu primeiro aparelho, dois anos depois de Pavel ter patenteado na Itália seu dispositivo estéreo portátil, chamado por ele de ''Stereobelt'', pois ficava preso à cintura.
Para provar a paternidade do walkman, Pavel perdeu processos e muito dinheiro. Acabou perdendo o processo na corte inglesa, mas diante da possibilidade de que abrisse novos processos em outros países, em 2005 a multinacional japonesa lhe propôs um acordo, cujos termos são mantidos a sete chaves. Estimativas do mercado, no entanto, dão conta de que ele teria recebido US$ 10 milhões da empresa, além de direitos sobre a produção de celulares, iPods e outros leitores digitais de MP3, inspirados em sua invenção. Nos Estados Unidos ele também ganhou uma patente sobre todos os aparelhos celulares que tocam rádio estéreo e os telefones de terceira geração, com MP3. De 2004 até 2021, o inventor poderá exigir pagamento de royalties sobre esses celulares vendidos nos EUA.
Para Pavel, há duas situações distintas de disputas por patente. Uma é entre indústrias, e que acaba normalmente em uma troca de produtos entre as empresas. ''A patente em nível industrial é moeda de troca'', afirmou. A outra envolve o inventor e a indústria, e consiste normalmente em uma ''briga de faca'' como a que ele viveu.
Nesse caso, segundo Pavel, a indústria tem dois caminhos para ganhar o processo: ''contornar'' a situação mostrando que não roubou a invenção, ou ''anular'' o processo de patente. A Sony, disse ele, não provou a autoria do invento, mas conseguiu anular a patente de Pavel com o argumento de que a criação do walkman seria parte de uma evolução natural da indústria.
''Esta idéia é ridícula. Não tinha nada na época que mostrasse que a Sony estava nesse caminho'', rebateu Pavel. Por outro lado, seu Stereobelt apresentava características de inventividade, de acordo com a lei alemã: tinha uma nova função (era portátil), seguia em direção contrária à tendência da indústria fonográfica (que apostava em aparelhos grandes), além de ter surpreendido o mercado. (M.G.)





