Internet2 já interliga 120 sites nos EUA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de março de 1998
Agência Globo 
Essa macarronada digital que hoje conhecemos como Internet vai ganhar uma irmãzinha mais nova. Mais nova e melhor. Surgida no fim da década de 60, com motivações militares e depois acadêmicas, ela acabou ultrapassando as fronteiras americanas e se tornou uma entidade mundial.
Aproveitando a experiência obtida, está sendo feito um esforço colaborativo de mais de 120 universidades nos EUA www.internet2.edu/ html/members.html para desenvolver tecnologia e aplicações avançadas vitais para missões de pesquisa e educação. Essa iniciativa chama-se Internet2, ou simplesmente I2, um projeto da UCAID (University Corporation for Advanced Internet Development) www.ucaid.edu, junto com o Governo americano e diversos parceiros na indústria.
As universidades foram escolhidas para darem o pontapé inicial na Internet2 porque são as únicas instituições qualificadas para tal, já que abrangem oferta e demanda. Demanda dos tipos de aplicação que serão desenvolvidas na I2 e oferta das mentes talentosas necessárias para tocar o projeto adiante.
Pesquisa de ponta acadêmica e missões educacionais de alto nível requerem a colaboração do pessoal e do hardware localizado em universidades americanas. Ao mesmo tempo, o patrimônio cerebral de talento e proficiência encontrado nas universidades afiliadas à I2 é simplesmente insuperável. Estas instituições ostentam uma longa história de desenvolvimento de redes avançadas de pesquisa e de conhecimento prático sobre como fazê-las funcionar.
O meio acadêmico é, sem dúvida, o terreno mais fértil sobre o qual a semente da Internet2 poderia ser lançada. Os investimentos das universidades na I2, juntamente com os esforços da indústria e do Governo, estão ajudando a desenvolver tecnologias como o Ipv6 www.oglobo.com.br/arquivo/info/cat/288.htm>, Multicasting http://penta.ufrgs.br/rc952/trab2/hl_intro.html e Quality-of-Service www.iptnet.ipt.br/rede/ atm.html, que irão favorecer o surgimento de uma nova geração de aplicações Internet, beneficiando todos os setores da sociedade. Bem... da sociedade americana, por enquanto.
A Internet2 não irá substituir a boa e querida Internet velha de guerra. Na verdade, seu objetivo é melhorar a velhinha. O setor comercial é um parceiro no novo projeto e consequentemente irá se beneficiar dos avanços obtidos. Segundo o site oficial da I2 www.Internet2.edu, a sabedoria desta abordagem com respeito à pesquisa em redes foi cabalmente provada com o crescimento avassalador da Internet tradicional a partir das redes acadêmicas e federais na década de 80.
A Internet2 vai repetir esse sucesso logo no início do milênio, confiando na comunidade universitária nessa etapa pré-comercial que, cá entre nós, nem deverá durar muito, uma vez que os olhos da iniciativa privada já estão bem arregalados para cima das conquistas tecnológicas obtidas com a nova filosofia. Daí para frente, a turma da grana já estará esfregando as mãos pensando na Internet3.
Os membros acadêmicos da UCAID alocaram cerca de US$ 50 milhões anuais como financiamento para a I2. As empresas afiliadas dizem que irão prover US$ 20 milhões durante toda a extensão do projeto. Além disso, espera-se que as instituições participantes venham a receber fundos em função de prêmios concedidos pela NSF (National Science Foundation) www.nsf.gov e outras agências federais participando da iniciativa Next Generation Internet www.ngi.gov.
Recursos federais substanciais para pesquisa e desenvolvimento serão concedidos através de outras agências governamentais. Dois esforços estão correndo em paralelo. A Internet2 é uma iniciativa universitária, ao passo que a NGI é federal. Logicamente elas se interpenetram em muitos aspectos, pois a compatibilidade certamente será mantida entre os dois projetos e, no final das contas, o resultado final será um só grande sistema.


