Agência Estado,
Do Rio
A Internet pode causar sérios traumas psicológicos e até mesmo físicos, se usada incorretamente ou sem controle. Quem adverte é a psicanalista Alice Bittencourt, que prepara um livro sobre relacionamentos na rede virtual, com base na experiência de consultório e centenas de relatos de casos, feitos em debates e em encontros de internautas. ‘‘Estou fascinada e, ao, mesmo tempo, assustada com o impacto da Internet na vida das pessoas’’, disse Alice, na palestra que deu esta semana no Centro de Atualização da Mulher, no Rio.
Para Alice, a rede mundial de computadores oferece experiências positivas e gratificantes, mas pode gerar situações perigosas e traumáticas. ‘‘Certa vez, pai e filha marcaram um encontro depois de corresponderem-se e paquerarem-se pela Internet e levaram um susto ao se reconhecerem’’, contou a psicanalista. ‘‘Felizmente, neste caso, a relação familiar, que era péssima, melhorou porque ele viu que buscava na namorada virtual a filha com quem tinha problemas e ela, que tentava recuperar o pai no contato com um homem mais velho.’’ Além de relatar casos como este - e outros com finais mais, ou menos, felizes-, Alice pretende mostrar também o lado bom da Internet.
‘‘Pessoas tímidas, com dificuldade de ter amizades, namorar ou muito solitárias começam a usar a Internet como forma de conversar e ter vida social’’, cita ela. ‘‘É uma forma de lazer mais saudável que ficar diante de uma televisão, sem interagir, mas deve ser um primeiro passo para um encontro real.’’
Mas Alice alerta também para o lado negativo, quando mentiras são contadas, pessoas refugiam-se no contato virtual (até mesmo sexual) e abandonam a experiência do contato humano, que é fundamental. Além dos riscos de indução e aliciamento de crianças e adolescentes para fantasias e contatos que extrapolam a maturidade e vivência. A psicanalista não pretende dar uma receita de como usar bem a Internet, mas, citando os casos e analisando o lado bom e o ruim dessa nova tecnologia, ela quer orientar para o uso.
‘‘A Internet veio para ficar e quem quiser se integrar na sociedade terá de aprender a lidar com ela’’, conclui Alice. ‘‘É mais ou menos como o álcool que, usado com moderação, não faz mal, mas pode viciar e trazer grandes problemas para quem não souber ter controle.’’

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