A privatização do sistema Telebrás representa uma virada no barco das telecomunicações nacionais e os provedores de acesso à Internet já estão preocupados em ficar à deriva. Antonio Tavares, dono do provedor paulista Dialdata e presidente da Associação Brasileira de Provedores Internet (Abranet), espera que a privatização não privilegie as operadoras interessadas em prover serviços de acesso à Internet a pessoa física. Tavares acha que a situação dos provedores pode complicar-se caso as empresas dificultem o acesso aos meios físicos, como linhas telefônicas, LPs (linhas privadas), etc.
Outro empecilho é a demora para a instalação de serviços e meios de telecomunicação na casa dos clientes. Um bom exemplo são as LPs.
O presidente da Abranet também está preocupado com os preços que as operadoras poderão estipular para os serviços de Internet. Ele explica que os provedores sabem que haverá mais concorrência com a abertura do mercado, mas não temem a competição. O que está tirando o sono da categoria é pensar na possibilidade de as empresas nivelarem os preços por baixo.
‘‘Os provedores estão preparados para a concorrência num mercado leal’’, afirma Tavares. Aleksandar Mandic, dono da empresa paulista Mandic, um dos maiores provedores de acesso do País, não está tão preocupado. Para ele, as empresas vão estar mais interessadas, num primeiro momento, em solucionar os problemas de infra-estrutura de telecomunicações em todo o País.
No Paraná, o coordenador da Internet By Sercomtel, Tony Philip Selmer Novaes, acredita que as teles vão entrar com tudo neste segmento. ‘‘A Internet é barata. Sem muito investimento, uma companhia pode montar seu provedor paralelamente ao desenvolvimento de uma melhor infra-estrutura da telefonia móvel e fixa. Hoje em dia, é questão de sobrevivência agregar valor aos serviços que oferece’’, garante. Para ele, a tendência é que, futuramente, o mercado se estabilize nos moldes da Europa e América do Norte, onde dominam os grandes provedores, citando como exemplo a própria Portugal Telecom, uma das empresas que participaram do processo de privatização e um dos maiores provedores da Europa. ‘‘Os pequenos não terão como competir em qualidade e preço’’, afirma.
Neste sentido, Novaes descartou qualquer ameaça ao provedor.‘‘A Sercomtel já é o maior provedor do Paraná. Até o final do ano, estaremos montando um provedor em Curitiba e daí, para as demais cidades do Estado. A tendência é ficarmos entre os dez maiores’’, afirma.

mockup