Internet já pode chegar pela televisão
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Agência Globo Rio de Janeiro 
ReproduçãoSemana que vem a Internet inicia uma nova era no Brasil: a dos acessos velozes, através de tecnologias não convencionais. A TV Filme, operadora de TV por assinatura que atua em Brasília, Goiânia e Belém, anunciou na quarta-feira passada uma nova forma de acesso à Internet, por radiofrequência. O Link Express, da TV Filme, será inaugurado no próximo dia 8 e estará disponível apenas para os moradores do Distrito Federal, onde a empresa já tem 80 mil clientes do serviços de TV.
Com o Link Express, a velocidade de transmissão ficará em torno de 27Mbps. A princípio, o serviço estará disponível apenas para os assinantes da TV Filme. Quem quiser usar o novo acesso deverá solicitar à empresa a instalação de um cable modem no seu micro. Esse equipamento será ligado ao decodificador que é conectado aos aparelhos de TV. Porém, os internautas deverão manter os modems convencionais para que o acesso aos servidores da TV Filme possa ser feito.
O acesso Internet da Link Epress vai funcionar sob a mesma estrutura de telecomunicações usada pela TV Filme para a transmissão dos canais pagos: o serviço de Telecomunicações conhecido como MMDS (Multichanel Multipoint Distribution Service), em que os sinais, na faixa de microondas, são transmitidos por antenas.
Totalmente dentro da lei, a TV Filme pode assumir o papel de provedor de acesso à Internet porque usa como meio de transmissão um tipo de serviço especial de telecomunicações, o MMDS. Assim, toda a legislação sobre a exploração e uso do Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanal deixa bem claro que as operadoras de MMDS podem usar sua infra-estrutura para prestar qualquer serviço de valor adicionado, como é o caso do acesso à Internet. Quem tiver curiosidade pode consultar a norma no site: www. mc.gov.br/biblioteca/legislacao/ portariasnormas/normas/Nor ma_00294 _rev97.htm.
Vale lembrar que os serviços prestados por TVs por assinatura que usam cabos são regulamentados por uma lei específica. Essas empresas têm autorização do Ministério das Comunicações somente para transmitir sinais de áudio e vídeo. Hoje, se quiserem oferecer serviços relativos à Internet, terão que enviar um pedido de concessão ao Ministério das Comunicações.
Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de quem trafega pela Grande Rede e fica frustrado com as experiências que envolvem áudio e vídeo em tempo real, a TV Filme aposta no Link Express para aumentar as taxas de transmissão no maravilhoso mundo da Web. Hermano Albuquerque, diretor geral da TV Filme, diz que a comunicação entre o micro do cliente e os servidores da empresa será feita por linha discada. Mas garante que isso não vai comprometer a rapidez do serviço. O que importa para o usuário é a velocidade no recebimento da informação afirma o diretor geral da empresa.
A TV Filme está ligada ao backbone da Embratel com um canal de 2Mbps. Os modems especiais que serão instalados nos micros dos clientes são fabricados pela Next Level Systems, com sede nos Estados Unidos. Marcos Daniel, gerente de Projetos Especiais da TV Filme, afirma que, após vários testes com produtos de outros fabricantes, os equipamentos da Next Level apresentaram os melhores desempenhos.
A meta é reunir oito mil assinantes no primeiro ano de funcionamento do Link Express. As pesquisas feitas com os assinantes apontaram que 21% dos 80 mil assinantes da TV Filme, que moram em Brasília, já navegam pela Internet e que 18% estão prestes a fazer a primeira conexão com a Grande Rede. Com os clientes de Belém e Goiânia, a empresa tem hoje cerca de 115 mil assinantes dos serviços de TV paga.
Em Brasília, o serviço entra no ar na próxima segunda-feira. Os assinantes da TV Filme que quiserem experimentar o Link Express devem pagar uma taxa de adesão de R$ 331, se a instalação do modem for feita na sua casa. Ou R$ 300, caso a instalação do cable modem seja feita numa loja autorizada. A mensalidade custa R$ 48 e dá direito a 25 horas de acesso. Quem ultrapassar essa cota paga R$ 1,75 por cada hora adicional de acesso.
A reportagem tentou, mas não conseguiu repercutir a notícia do lançamento do serviço da TV Filme com representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão encarregado hoje de ditar as regras do jogo e fiscalizar a operação das empresas exploradoras de serviços de telecomunicações.


