Internet 'fast services'
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
Com o aumento da venda de computadores (só em 2011 foram vendidas 15,4 milhões de máquinas), o uso cada vez mais massificado da internet de alta velocidade e mudanças no comportamento dos internautas, as lan houses ou cyber cafés se viram obrigadas a se adaptarem a uma nova realidade para sobreviverem no mercado. Não existem números precisos sobre a quantidade de empresas deste segmento no Brasil, mas o Comitê para Democratização da Internet (CDI Lan) estima que hoje permaneçam em atividade entre 70 mil a 80 mil estabelecimentos. Alguns anos atrás, este número superava os 100 mil.
Em palestra sobre inovação em Joinville (SC), Carlos Alberto dos Santos, diretor-técnico do Sebrae Nacional, lembrou que já questionou a razão de um empresário dono de lan house ter lhe procurado sendo que ''este negócio já está morrendo''. Mas animou-se quando o estabelecimento sugeriu uma mudança no perfil do negócio, oferecendo o espaço a um segmento específico de estudantes.
E a segmentação parece ser mesmo a saída para as empresas do ramo. Os estabelecimentos localizados em áreas centrais, por exemplo, aproveitam que estudantes e trabalhadores precisam de pequenos serviços de informática no meio do dia para fazerem render o negócio. O dono de uma lan house em Londrina, que preferiu não se identificar, comentou que o seu cliente é o ''transeunte'' que procura o estabelecimento no trânsito para a escola ou para o trabalho. ''Minha clientela mudou. A maior procura é aquele 'picadinho''', completou o empresário, explicando que o público de hoje não passa mais horas e horas na loja, como acontecia anteriormente.
Precisando consultar sua inscrição em um vestibular, o estudante Jonatha Batista de Oliveira parou em uma lan house no centro de Londrina. ''Tenho computador e notebook, mas quase não paro em casa e não carrego o notebook por segurança'', argumentou. Já a lentidão da internet de casa foi o que motivou a funcionária pública Luciana Amorim a procurar a mesma lan house. ''Tem coisas que tenho que olhar e não posso ficar esperando (carregar). Aqui, consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo.''
Com o tempo chuvoso, o representante comercial Fábio Henrique Nogueira também deixou o notebook em casa e procurou a ''lan'' para acessar informações importantes. ''Tem vezes que a internet também não está boa'', afirmou.
Na lan house situada na Galeria Vila Rica, que também faz manutenção e venda de computadores, o proprietário Mário Germiniano aposta nas impressões para se manter vivo no mercado. ''Quando você precisa imprimir um documento e a impressora começa a dar problema, a tinta acaba e o cartucho é caro, procura a lan house'', disse. ''Lan é um conjunto de serviços de internet, cópia, impressão, recarga de cartucho com perspectiva de crescimento para serviços de impressão'', definiu.
Frente à tantas dificuldades, a CDI Lan precisou que trabalha a transformação dos estabelecimentos afiliados em centros de convivência e conveniência dentro das comunidades. A ideia é abrir espaço para outras atividades além do acesso à internet, como correspondentes bancários, capacitação profissional e centros de impressão. ''Esta (última) é a principal atividade das lans. Este mês, em parceria com uma fabricante de impressoras começaremos a fazer um trabalho para transformar estes estabelecimentos em grandes centros de impressão'', afirmou Marcel Fukayama, diretor executivo da CDI Lan.


