Internet é um fenômeno de trinta anos
Em setembro de 69 a proeza de trocar dados entre dois computadores deu origem à rede mundial que revolucionaria este final de século
Laurence Benhamou
e Richard Ingham,
de Paris
Um certo dia na Califórnia no início de setembro de 1969, dois computadores distantes alguns metros entre si e unidos por um simples cabo telefônico conseguem pela primeira vez trocar informações. Este primeiro intercâmbio de dados foi a origem da Internet, a rede mundial de computadores que revolucionou este final de século.
O desenvolvimento do World Wide Web (www), que une atualmente 25 milhões de computadores e 180 milhões de usuários, começou muito lentamente. Sua verdadeira explosão só começaria no início dos anos 90.
O primeiro computador capaz de se comunicar, um Honeywell 516 semelhante a uma geladeira, foi fabricado pelo exército americano e seus projetistas do ARPA (Advanced Research Projects Agency).
Instalado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (oeste dos Estados Unidos), foi conectado inicialmente ao computador da universidade em 2 de setembro de 1969. Em outubro de 1969, foi conectado a outros três computadores na Califórnia e no estado de Utah, a uma velocidade de 50 bits/segundo.
Estes três computadores constituíram o núcleo da primeira rede de computadores, a ARPANET.
Durante os anos 70, a ARPANET cresceu gradativamente, conectando universidades e sites militares: de 13 computadores em 1970, a rede contava 213 em 1981, nos Estados Unidos e na Europa.
Esta lenta progressão foi acompanhada por avanços tecnológicos indispensáveis que melhoraram o diálogo entre as máquinas. É possível citar entre eles o protocolo de transferência FTP, o correio eletrônico (em 1972) e o protocolo de transmissão TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol), em 1982.
Do lado dos usuários, o surgimento em 1979 do Usenet, outra rede de computadores que unia especialmente universidades, marcou o início do uso civil da rede. Outras redes universitárias seguiriam os passos do Usenet.
Mas, o acesso a estas redes continuava restrito a estudantes e especialistas, principalmente devido aos comandos complicados e à ausência de um elemento que dez anos depois, a partir de 1990, seria responsável pelo boom da Internet: o recurso hipertexto.
Esta invenção se deve a Tim Berners-Lee, jovem informático britânico do CERN, laboratório europeu de física de partículas em Genebra. Os links permitem que o internauta acesse um site (endereço eletrônico contido em outro computador) com um simples click no mouse.
Esta invenção, cujo uso não exige nenhum conhecimento indispensável de informática, é a chave do sucesso da Internet: dos 130 mil computadores conectados em 1989, a rede contava com 535 mil em 1991, 992 mil em 1992 e 1,7 milhão em 1993.
O ritmo de crescimento não deixou de acelerar até agora, com um aumento paralelo da velocidade e da capacidade de transmissão. Bastaram cinco anos, de 1994 a 1999, para que a Internet revolucionasse a economia e o sistema de informação mundial.
Às portas do século 21, as perspectivas de desenvolvimento não parecem ter limite. Nos últimos cinco anos, nasceram o comércio eletrônico, as webcams (câmaras que transmitem imagens em tempo real) e a possibilidade de fazer a conexão via telefone celular.
A revolução mais espetacular, no entanto, ainda está por vir, quando nos próximos cinco a dez anos, segundo especialistas, a Internet e a televisão se fundirão definitivamente e os computadores de mão (Palm PCs) serão comuns como são hoje as secretárias eletrônicas.
O futuro da Internet é ilimitado, como é o da imprensa e o da televisão, disse à AFP Joel de Rosnay, especialista francês.
Mas, em seu conteúdo há o melhor e o pior: por um lado, há o acesso à informação, as ofertas de emprego, as redes associativas, a educação. Do outro, a pornografia, os panfletos nazistas, a desinformação ....





