O termo "internet das coisas" começa a ganhar corpo conforme a evolução da tecnologia. Já foi experimentado, atualmente, com os telefones celulares inteligentes e a tendência é que cada vez mais objetos sejam conectados à rede mundial de computadores. Em um futuro não muito distante, serão os eletrodomésticos e os carros, por exemplo. E, já é realidade lá fora, para os medidores de consumo de energia elétrica inteligentes.
Porém, assim como aconteceu com os smartphones, o alerta que se seguiu foi a necessidade de cuidados com a segurança. Antes disso, e hoje ainda, muitas pessoas se preocupavam com a proteção apenas de seus computadores e notebooks contra ataques cibernéticos. No entanto, o caminho natural é que os objetos conectados à internet também passem a precisar de cuidados com a segurança.
"O que observamos é que cada vez mais as coisas estão conectadas. Controles remotos, sistemas de controle de automóveis, de energia elétrica, equipamentos médicos para exames remotos. Não necessariamente estes objetos estarão ligados à internet. O sistema de bloqueio de carro roubado, por exemplo, é feito por satélite", observa Mariano Sumrell, diretor de Marketing da AVG, empresa de segurança da informação. Isso não significa, entretanto, que todos estes objetos prescindam de segurança, ele completa.
Para Cézar Taurion, gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil, a "internet das coisas" evolui à medida que também evolui a capacidade computacional e o armazenamento de dados, que podem ser aplicados a pequenos objetos, com preços cada vez menores e maior eficiência energética.
A internet tem potencial de aplicação nos setores de logística, saneamento e energia elétrica, afirma Taurion. Entretanto, uma vez que estes sistemas não estão mais isolados e sim interligados em rede, o desafio da "internet das coisas" é garantir sua segurança. Afinal, falhas também podem representar verdadeiros colapsos no sistema financeiro, de comunicação e no transporte aéreo, por exemplo. "É a chamada ciberguerra", ressalta o gerente.
Neste cenário, o perigo de que estas conexões entre coisas sofram ataques provêm de três fontes, na opinião de Sumrell. Uma delas, e talvez a principal, é justamente a ciberguerra, que pode assumir o papel, por exemplo, de ações de governos contra governos. Outra fonte de ataque pode ser o cibercrime, que ocorre com o fim de obter lucro com ações criminosas na internet, e que já figura entre as principais ocorrências nos smartphones. "Com a internet das coisas ainda não tem isso (cibercrime) porque existem outras áreas em que o cibercrime pode lucrar mais", pontua o executivo da AVG. No entanto, ataques à energia elétrica e a usinas nucleares, por exemplo, já são uma realidade.
"As pessoas ainda não são o foco de ataques (na internet das coisas)", diz Sumrell. "Mas, temos que ficar olhando à frente para onde a ameaça pode estar." Já, na opinião de Taurion, os principais alvos da ciberguerra são justamente os civis, já que a ciberguerra pode causar colapsos que afetam a sociedade como um todo.

Política de segurança
No Brasil, a "internet das coisas" ainda é algo distante, pois mesmo experiências com smart grid (medição inteligente de consumo de energia elétrica) sequer saíram das provas conceituais. Mas daqui a 20 anos, quando for realidade, será necessária a criação de uma política normativa de critérios mínimos de segurança por parte do governo, afirma Taurion. Além disso, a equipe de TI das companhias terão de pensar fora da sua área de TI, já que a "internet das coisas" passa a abarcar fatores externos a ela. "A área de TI passa a ser mais ampla."
Para Mariano Sumrell, da AVG, a segurança em época de "coisas" conectadas exige uma preocupação do governo com os acessos externos, uso forte de criptografia e senhas e os pontos da cadeia precisam ser muito bem protegidos com firewall.

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