Internautas mirins
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Mie Francine Chiba <br>Reportagem Local 
Quase metade das crianças de 9 a 16 acessa a internet todos os dias. O dado é da pesquisa TIC Kids 2012, realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br). A pesquisa ouviu pais e crianças para levantar indicadores de uso da internet pelos jovens. O trabalho escolar (82%) é a principal atividade realizada pelas crianças na web. Em segundo lugar vem as redes sociais (68%), e em seguida os vídeos na internet (66%).
Os números revelam que o acesso à internet já é uma realidade de grande parcela das crianças brasileiras e, inevitavelmente, junto a isso, os cuidados com o que as crianças acessam é um assunto a ser abordado. Para pais e filhos, a percepção sobre uso seguro da internet pode ser diferente. De acordo com a pesquisa, 37% dos pais entrevistados acreditam que não é nada provável que seu filho passe por uma situação de incômodo ou constrangimento na internet nos próximos seis meses, e 35% acham que seus filhos são capazes de lidar com situações que o incomodem na internet.
Além disso, 71% creem que seus filhos usam a internet com segurança. Na opinião do Cetic.br, os dados demonstram que a percepção dos riscos no uso da internet pelos pais é baixa, mesmo quando quase metade deles também usa a internet.
''As crianças já nascem acessando a internet. Não precisa mostrar para elas o que é, mas sim orientá-las'', opina o coordenador de Informática Educacional do Colégio Londrinense, José Junior Vendrame. ''Tem muita coisa na internet e muitas vezes as crianças não conseguem encontrar o que é importante para elas. A escola e a família têm o papel de orientar o que é bom e os riscos que existem neste outro mundo'', completa. Afinal, como compara o coordenador, utilizar o computador dentro de casa sem os devidos cuidados de segurança é a mesmo que estar sentado à noite, sozinho, em pleno Calçadão.
Rosana Kosugue, mãe de Giovanna, 13 anos, Danielle, 10, e Maryane, 7, mantém o computador da casa na sala de jantar, ''em um ponto estratégico entre a cozinha e a sala'' onde ela pode ficar de olho no que as meninas acessam. Também verifica o histórico de acessos todos os dias depois que as meninas abandonam o computador. Além disso, a mãe dá algumas dicas às filhas como não clicar em banners chamativos em sites, que muitas vezes direcionam a locais inseguros da web.
O computador de uso comum na casa também é a forma que os pais de Frederico, de 9 anos, e Gregório, 13, Fernando e Deusa Favero encontraram para manter os filhos sob sua tutela quando o assunto é internet. Desde que Gregório era pequeno, o pai, que trabalha na área de tecnologia, procurou acessar a internet junto com ele. Assim, era possível orientá-lo de perto e desde cedo sobre o que fazer e o que não fazer no ambiente da web. ''Ele entendeu bem'', disse o pai, ressaltando que com este processo formou-se uma relação de confiança entre eles.
Interatividade
Gregório também tem um blog em que posta vídeos sobre games e tirinhas, fugindo das estatísticas da pesquisa do Cetic.br que diz que atividades mais interativas, como postar conteúdos, são menos frequentes no público infantil. No estudo, apenas 40% afirmaram postar fotos, vídeos ou músicas e 24% disseram que já postaram uma mensagem em algum site. Fernando costuma sempre visitar o blog do filho e sugerir mudanças quando vê algum tipo de abordagem inadequada.
O filho mais novo, Frederico, acessa mais as redes sociais - Facebook e YouTube - e visita sites de jogos. Outra medida de segurança que os pais adotam tem relação com as senhas. ''Todo mundo tem todas as senhas em casa'', explicou Deusa, a mãe.



