O jeitão, à primeira vista, é o de um adventure normal. Mas olhe de novo. Há novidades incríveis por baixo da fantasia. Os personagens, por exemplo, não têm um script bonitinho para obedecer. Na verdade, não obedecem a nada porque seu comportamento deriva de um sistema de inteligência artificial. Isso significa que agem e interagem entre si de acordo com as ações e reações uns dos outros.
Tem mais: não adianta salvar o jogo por muito tempo, porque as coisas começam a acontecer à nossa revelia. Ray McCoy tem 15 suspeitos para investigar. Quantos são replicantes? Com certeza, apenas dois. Os outros, escolhidos de forma randômica assim que começa a brincadeira, podem ou não ser. E aí as coisas se complicam - e ficam muito divertidas. Como todo caçador de andróides, McCoy pode ‘‘retirar‘‘ replicantes de cena, mas estará frito se fizer a mesma coisa com humanos. Neste caso a polícia vai atrás dele e, se tiver provas suficientes, vai mantê-lo atrás das grades para sempre ou executá-lo.
Fim de jogo.
Porém, se Ray McCoy (isto é, você) tiver esperteza suficiente para tapear os tiras, tá limpo - faz parte. É fácil? Experimente para ver... Há uma certa unanimidade em torno de ‘‘Blade Runner’’, o jogo, que até agora só foi visto em betas e fitas de vídeo: se ele for tudo o que promete ser, é o que de mais diferente aparece na área há muitos e muitos anos. Até porque, curiosamente, apesar de ser um adventure, está muito mais para Sim City do que para Myst. Louis Castle, da Westwood, que desenvolveu o jogo, explica: ‘‘Não aguento mais ver transcrições lineares de filmes. É como começar a ler um livro, atravessar meia dúzia de páginas e ter que parar para fazer uma palavra cruzada antes de continuar.

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