Um game de ficção científica baseado em um universo infinito gerado de maneira "procedural". Essa é "No Man’s Sky", aguardado jogo a ser lançado em junho deste ano. Inovador, o game gera automaticamente os planetas, ambientes e outras variáveis seguindo regras pré-determinadas à medida que o jogador explora o seu universo. Em suma, o jogo possui um algoritmo gerador de novos conteúdos, que faz com que ele pareça "infinito". Este grande feito da área dos videogames foi idealizado por uma equipe de apenas quatro amigos que criaram uma desenvolvedora de jogos em Guildford, no Reino Unido - a Hello Games. Segundo informações publicadas no lançamento, estima-se que em "No Man’s Sky" haja 18 quintilhões de planetas a ser explorados.
Esse é um dos jogos mais esperados pelo público gamer e foi criado por uma desenvolvedora independente. Já é possível fazer a pré-reserva na plataforma Steam por R$ 129,99. Na verdade, a inovação é uma das características que têm impulsionado os games independentes no mercado de jogos virtuais hoje. Os grandes títulos, feitos por grandes produtoras, não estão mais sozinhos, e sofrem forte concorrência dos chamados indie games.
Outro jogo independente de sucesso é Unravel, produzido pelo estúdio Coldwood, da Suécia, e lançado em fevereiro pela Electronic Arts (EA), mesma publisher de games como Need for Speed ou a franquia Battlefield. Em Unravel, o jogador precisa ajudar Yarny, um simpático personagem feito de um único fio de lã, em uma jornada emocionante em busca de reunir novamente os laços perdidos com as pessoas amadas ao mesmo tempo que o personagem se desenrola deixando um pouco de si por onde passa.
O game foi ganhador de diversos prêmios, entre eles de melhor jogo original na Electronic Entertainment Expo (E3) de 2015. Em meio a jogos que prezam pela velocidade, competitividade e violência, Unravel surge como um "respiro" entre os games da EA, tocando nos sentimentos e na emoção dos jogadores. "Na primeira vez que visitei o estúdio (Coldwood), conheci os desenvolvedores e vi o jogo emocionante e profundamente criativo que estavam fazendo, na hora eu soube que deveria trazer isso para todos vocês. Unravel é algo novo e totalmente diferente, que reflete criatividade, inovação e variedade das experiências que temos atualmente", relata Patrick Soderlund, vice-presidente executivo dos estúdios EA, por meio de nota da assessoria de imprensa.

Mais liberdade
"Os jogos do ‘mainstream’ não mudam muito sua forma de jogar. No máximo tentam melhorar o gráfico e a experiência. Já os indie estão muito mais propensos à inovação, não são como outras empresas, que têm um ‘budget’ para cumprir", opina Diego Beltran, CEO da produtora de games independente Insane.
O mercado de indie games vem crescendo ano a ano, inclusive por aqui, conforme constata Marcelo Tavares, idealizador e CEO da Brasil Game Show, cuja edição de 2016 ocorre em setembro. Neste ano, segundo Tavares, triplicou a participação de produtores independentes, que ficarão alocados em um pavilhão próprio da feira. Haverá 108 expositores com esse perfil no evento.
Casos de sucesso como os games brasileiros Toren, da Swordtales, e Aritana, da Duaik Entretenimento, inspiraram outros desenvolvedores a seguir em frente nesse mercado. "São jogos 100% feitos no Brasil disponibilizados no mundo todo via console." Grandes empresas, como a Microsoft e a Sony (donas das plataformas Xbox e PlayStation, respectivamente) também estão de olho nesse mercado, diz Tavares. De acordo com ele, todo ano a BGS recebe diretores globais dessas empresas, interessados no trabalho de desenvolvedores independentes.
"Na cabeça do desenvolvedor você pode encontrar todo tipo de ideia, e não só em equipes de grandes produtoras", comenta Tavares. "De equipes de duas a 10 pessoas acabam surgindo projetos de qualidade espetacular sem precisar de tanto investimento. O público cada vez mais quer opção."

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