Agência O Globo,
do Rio
Na segunda quinzena deste mês, o Brasil entra oficialmente no projeto Internet 2, com a assinatura de um acordo com os Estados Unidos. Nesta entrevista, em seu escritório no Rio, José Luiz Ribeiro Filho, coordenador da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), explica como o Brasil está aderindo a esta nova rede mundial de computadores, que será essencialmente voltada para os meios acadêmico e científico.
Pergunta: Como está estruturada a Internet 2 no País?
José Luis Ribeiro Filho: Em outubro de 1997, a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e o Programa Temático Multi-institucional em Ciência da Computação (ProTem - CC), com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lançaram o edital ‘‘Projetos de redes metropolitanas de alta velocidade (Remavs)’’. Foram selecionados 12 consórcios. Até o início deste ano, quase todos os consórcios haviam assinado o contrato com o CNPq para receber as bolsas que dão direito à contratação de técnicos, equipamentos (a maioria cedida pela IBM através de convênio com o MCT como beneficiária da Lei de Informática) e os recursos financeiros (R$ 50 mil para cada consórcio) providos pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. A extinção da Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (Fapema), líder da Remav de São Luís, resultou num novo processo de seleção, que permitiu a inclusão de três propostas: as dos consórcios de Belo Horizonte, Brasília e João Pessoa. Agora a RNP promoverá a interligação das redes montadas pelos consórcios nas respectivas cidades a 34 Megabits por segundo (Mbps). Esta espinha dorsal de alta velocidade será ligada à Internet 2 nos EUA.
E como será feita esta ligação?
A entrada deverá ser em Chicago, no Startap, uma espécie de hub criado pela National Science Foundation (NSF), em www.nsf.gov para abrigar redes internacionais que queiram se ligar à Internet 2. A saída, no Brasil, ainda não está definida. Vamos pedir um canal internacional à Embratel de 34Mbps. A ligação desse canal depende da ativação da nova fibra óptica do cabo Américas 2, que deverá estar no ar em abril.
Em que estágio estão os consórcios das Remavs?
O projeto prevê três etapas: formação e interligação das Remavs e conexão com o NSF, nos Estados Unidos. A primeira etapa está sendo executada pelos consórcios contratados pelo CNPq. A interligação das redes começou a ser esboçada em maio passado, quando a RNP realizou um evento em Curitiba para promover a adesão da iniciativa privada à Internet 2. Nesta fase, trabalhamos em duas frentes. A primeira é um convênio do MCT com o Ministério da Educação (MEC), com duração prevista de quatro anos, para a estruturação de um novo backbone da RNP: RNP2. O total do investimento é de aproximadamente R$ 200 milhões. Até o fim deste mês, estará entrando no ar um projeto piloto do novo backbone de ATM, com velocidades de 34Mbps, interligando Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. A segunda frente está relacionada a parcerias com a iniciativa privada. Um dos acordos é com a Engeredes, do grupo Algar. A infra-estrutura de fibra óptica da Engeredes será usada para experimentos da Internet 2. A fibra cobre uma região que vai de São Paulo a Brasília e um outro trecho conectando Belo Horizonte a Uberlândia. A empresa tem uma parceria com a Petrobras para passar a fibra em cima de oleodutos. A terceira etapa da Internet 2 começa no fim do próximo mês, com o contrato da University Corporation for Advanced Internet Development (Ucaid).
E quando começa a interligação das Remavs?
Até o fim de fevereiro de 2000, 13 capitais que têm projetos de Remav estarão interligadas por rede ATM contratada com a Embratel.
Quais as mais avançadas?
As redes de Paraná, São Paulo, Ceará, Goiás e Rio Grande do Sul já estão em fase final de implementação de infra-estrutura. Mas as mais adiantadas são as de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Nesta semana, o CNPq começa a visitar as Remavs para conferir o estágio dos projetos.
Que outros projetos de redes a RNP está desenvolvendo?
Criada em 1989, ano que vem a RNP vai deixar de ser um projeto do MCT e se tornará uma organização social. Teremos orçamento próprio e não precisaremos depender do interesse das empresas de informática em investir nos programas prioritários do MCT. A partir de 2000, os pontos de presença do atual backbone da RNP fora da àrea de cobertura das Remavs vão operar com, no mínimo, 2Mbps. Também faz parte do convênio com o MEC a conexão de todas as universidades federais ao novo backbone da RNP. Se a universidade estiver numa àrea em que a ligação com a rede estadual não for satisfatória, caberá à RNP prover essa conexão com, no mínimo, 1Mbps.

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