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quarta-feira, 12 de agosto de 1998
ReproduçãoA PointCast introduziu o conceito de webcastingTelma Elorza 
Receber informações fresquinhas a toda hora, sem precisar perder tempo pesquisando na Internet, é uma vantagem para quem assina o serviço webcasting, uma tecnologia não tão nova mas pouco utilizada pelos usuários domésticos brasileiros. Para quem nunca ouviu sequer esta designação, explico: webcasting é o termo usado para definir o envio de notícias via Internet - em analogia a broadcasting, expressão inglesa para definir a radiodifusão. Com esta tecnologia, também conhecida como push (empurrar), as informações chegam automaticamente ao micro do usuário, eliminando a necessidade de se digitar o endereço web para sair à procura de novidades. Na verdade, o webcasting só ficou mais conhecido no Brasil a partir do lançamento dos browsers mais avançados, que disponibilizam automaticamente o acesso a vários canais. O serviço compreende duas etapas básicas: um software cliente - há vários receptores de ondas disponíveis hoje na rede - que deve ser copiado (download) e instalado no micro do usuário; e outro, instalado no servidor onde estarão as informações que serão levadas aos assinantes. Para acessar, é preciso assinar um ou mais dos canais disponíveis. A instalação do programa é simples e, na maioria das vezes, tanto a cópia quanto a assinatura dos canais são gratuitas.
Você monta o seu pacote predileto de notícias que o serviço de webcasting remete até o seu computador, sem cobrar nada por isso. Os comerciais de grandes empresas, que são empacotados junto com as notícias, é que pagam a conta.
Depois que o usuário fez a assinatura do canal, o webcasting passa a funcionar de forma ininterrupta. Os micros das pessoas registradas carregam automaticamente todas essas informações. Quando o usuário está conectado à Internet, um banner invade a tela do micro avisando da chegada de um novo infoflash. Clicando sobre ele, aparece uma janela que contém a notícia. Quando a máquina fica ociosa, desde que habilitado, o canal irrompe na tela como se fosse um screen saver.
Dependendo do canal, o banner pode ser uma atração à parte: tanto pode vir em forma de uma bola de futebol, que chega quicando pelos quatro cantos da tela que está no monitor, quanto um pergaminho que se desenrola e volta a se enrolar em alguns segundos, caso o usuário não clique sobre ele para ler as notícias. Se o banner não é clicado, volta a aparecer na tela de tempos em tempos como uma notícia nova até ser acionado. Todos os infoflashes ficam armazenados por 24 horas no software-cliente.
A grande maioria dos usuários domésticos, principalmente no Brasil, ainda não demonstrou interesse pela tecnologia push. Em empresas que ficam ligadas à Internet durante o tempo todo é mais fácil encontrar adeptos do webcasting. Em muitos casos, no entanto, os sistemas acabam sobrecarregados com o tráfego de informações, o que leva muitas corporações a avaliar a real importância destes serviços.
Tony Philip Selmer Novaes, coordenador do Internet By Sercomtel, provedor de Internet em Londrina, não é um entusiasta da tecnologia, mas admite que o webcasting permite o acesso a informações de forma mais rápida através da Internet. A tecnologia permite que o usuário receba dados específicos sobre um determinado assunto, escolhido por ele. Funciona como um e-mail de notícias, diz.
Segundo Novaes, porém, é preciso tomar cuidado e não ficar muito empolgado com a assinatura de vários canais ao mesmo tempo. Muita informação ocupa espaço no disco rígido e pode até tornar a máquina lenta. Além disso, se o usuário for ficar lendo tudo o que aparece na tela do computador, não faz mais nada. Eu mesmo assinava três canais e acabei tirando, conta.
Há vários softwares receptores de webcasting disponíveis para donwload gratuito na Internet. Entre os mais conhecidos estão o PointCast Network (www.pointcast.com), que recebe até dez canais incluindo CNN, Wired, Los Angeles Times, previsão do tempo e cotação de ações, e o BackWeb (www.backweb.com) oferece 33 opções - grandes jornais brasileiros com canais de webcasting também dispõem deste programa para donwload em suas páginas. É o caso de O Estado de S. Paulo, O Globo, Zero Hora, entre outros, além de revistas (Isto É), provedores (ZAZ) e publicações especializadas em informática.


