Informe Informática (Carlos Trindade)
Informe Informática Carlos Trindade
Confissão na Internet
Um homem confessa, através da Internet, ter assassinado sua filha de cinco anos e gera grande polêmica nos Estados Unidos. O fato aconteceu em um dos milhares de GD (grupos de discussão) que existem com o objetivo de ajudar pessoas com problemas que vão desde vícios diversos até praticas sexuais anormais e criminalidade. Depois de ser denunciado à polícia por três participantes do grupo de discussão, o criminoso foi preso e gerou grande revolta entre as pessoas do grupo, que expulsaram os delatores. Segundo o administrador, o código de ética destes grupos recomenda que as pessoas que procuram ajuda não sejam traídas e delatadas, já que o objetivo é ajudar na recuperação desses indivíduos. Muitos frequentadores desses GD se demonstraram revoltados com a atitude dos delatores. Diversos administradores afirmam já ter ouvido confissões de assassinato, práticas de pedofilia e até menores seduzidos por seus professores. A polícia só deve ser procurada no caso de o indivíduo declarar a intenção de cometer um crime. A questão parece ser bastante complexa e mostra claramente que na Internet uma nova comunidade está se formando, com novos valores éticos, novas regras e novos códigos de conduta. Muitos entretanto questionam a legitimidade desses grupos, pois não são profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria ou de qualquer outra área que receba formação acadêmica ou treinamento para tratar de pessoas com problemas. Na sociedade não virtual de hoje, médicos, padres, pastores e psicólogos são testemunhas do mesmo tipo de confissão e nem por isso são obrigados a denunciar aqueles que procuram ajuda. Os grupos usam o mesmo argumento defendendo a preservação daqueles que procuram ajuda e admitem ter cometido algo ilícito.O lado negro da Internet
A Internet se torna um vasto campo de pesquisa para profissionais das áreas de saúde, social e comportamental. O relativo anonimato da Internet está permitindo que milhões de pessoas com os mais variados problemas manifestem suas psicopatias, obsessões e vícios. Porém estas pessoas não buscam ajuda, mas materiais e relacionamentos com uma comunidade virtual que compartilhe dos mesmos desejos e idéias. A Internet também está servindo para nos revelar um mundo doente, carente de algo maior que possa ser a verdadeira motivação para a vida. Se alguém se questiona sobre a razão que leva garotos de classe social privilegiada e com boa formação cultural a praticar crimes hediondos, é só vasculhar a Internet. É óbvio que a Internet não é a razão, ela só reflete o que existe dentro das pessoas e o que elas procuram. O mundo parece buscar o que não pode ser encontrado senão em Deus.Fecha o cerco sobre a Microsoft
O governo norte-americano está acenando com uma nova lei que dá liberdade aos fabricantes de micros na escolha de um novo software para interagir com o usuário, dando ao Windows uma nova aparência. Atualmente o contrato de fornecimento do Windows para os fabricantes de microcomputadores não permite a alteração da tela de boot e nem da interface do Windows com o usuário, ou seja, a aparência e forma do sistema operacional interagir com o usuário. Uma nova lei está sendo proposta pelo governo norte-americano que poderá proibir o uso de algumas das condições contratuais impostas hoje pela Microsoft na distribuição do Windows. O fabricante poderá fornecer a máquina com o Windows, porém com um novo software interagindo com o usuário que se comunica com as funções básicas do Windows. Isso permitirá, por exemplo, que a Netscape desenvolva um Active Desktop onde o usuário poderá usar ferramentas desenvolvidas pela Netscape para visualizar seu disco rígido, copiar arquivos, executar programas, tudo com um novo visual e nova funcionalidade. Quando o usuário ligar seu micro, aparecerá uma tela da Netscape e um novo Desktop onde a área com os ícones e as barras de menu para acessar os utilitários Windows e programas instalados na máquina seriam desenvolvidos pela Netscape. Os contratos atuais dos fabricantes com a Microsoft não permitem essa prática e é isso que o governo norte-americano quer mudar. Alguns especialistas acreditam que isso não mudará muita coisa, pois os usuários preferem manter o mesmo padrão em suas máquinas. Uma empresa não compraria um lote de máquinas onde o Windows funciona de um jeito e outro lote onde ele funciona de forma diferente. Mas há quem acredite que essa lei poderá ser o início de uma nova fase que permitirá o surgimento de softwares desktop no mercado com conceitos novos e interface tão interessantes e vantajosas que convencerão o usuário do seu uso, especialmente no mercado doméstico. Nesses casos o usuário sempre leva vantagem, pois a Microsoft terá que trabalhar duro para garantir a preferência do usuário.
Decepção com o Java
Grupos de desenvolvedores Java nos Estados Unidos se declararam decepcionados com o seu desempenho em aplicações complexas. Antigos programadores C++ afirmaram que o Java apresenta um desempenho muito inferior ao esperado. Se você tem uma aplicação C++ grande e complexa, não acredito que funcionará em Java, afirmou Jeff Borror do Instituto de Tecnologia Daiwa Securities America. Segundo os programadores, a linguagem Java ainda não está pronta para construir aplicações que objetivam a administração de grande volume de transações, com muitos usuários, trabalhando com transações complexas envolvendo cálculos no servidor e muita interação em banco de dados. Para muitos, a solução será o breve lançamento de um compilador nativo, entretanto o uso de aplicações Java compiladas não é interessante quando as instalações da rede do usuário usam diferentes plataformas de hardware. Depois de ter enfrentado problemas com o Java, a diretora de desenvolvimento de aplicações da University of Chicago Graduate Scholl of Business voltou a usar outras tecnologias tais como CGI e ASP. Os desenvolvedores também reclamaram dos problemas de compatibilidade como os Applets Java. Existem muitos problemas de incompatibilidade com os applets em equipamentos de usuários Internet Explorer e Netscape nas suas diversas versões. O que funciona no Internet Explorer pode não funcionar no Netscape e vice-versa. O mesmo acontece entre os mesmos browsers de versões diferentes.
Carlos Trindade é gerente de informática da Folha e consultor. Sugestões e comentários para [email protected]





