Informe Informática (Carlos Trindade)
Informe Informática Carlos Trindade
EUA querem barrar MS
O governo norte-americano fez uma solicitação à Corte Suprema para impedir a Microsoft de induzir os fabricantes de microcomputadores a fornecerem o Microsoft Internet Explorer como única alternativa de browser agregado ao Windows 95. Quem fez o anúncio do pedido foi a procuradora geral da Justiça americana Janet Reno e o Departamento da Justiça antitruste que atua na fiscalização de monopólios. O governo americano pede ao departamento que multe a Microsoft em US$ 1 milhão por dia, caso a Microsoft continue com sua estratégia, e pede que a Microsoft anuncie a seus clientes que o Microsoft Explorer não é obrigatório e não é a única alternativa. Segundo Reno, a Microsoft estaria violando uma ordem da corte norte-americana determinada em 95, quando impediu que o Explorer fosse oferecido juntamente com o Windows 95. A corte americana poderá proibir a Microsoft de distribuir o Internet Explorer juntamente na versão do Windows 98.Estratégia óbvia
Há algumas semanas escrevi sobre o monopólio da Microsoft, sobre a estratégia Windows CE e que certamente a Microsoft estaria planejando integrar o seu kit Microsoft Internet Explorer ao futuro Windows 98. Comentei que poderia ser um golpe fatal ao produto concorrente, o Communicator da Netscape. Em alguns meses, milhões de pessoas em todo o mundo estarão fazendo o upgrade (atualização) do Windows 95 para o Windows 98, como aconteceu do Windows 3.1 para o Windows 95. Caso a Microsoft consiga implementar sua estratégia de incorporar o Internet Explorer ao Windows 98, é provável que a maioria dos usuários de PCs não sinta interesse em adquirir o produto da Netscape, uma vez que o da Microsoft já vem pré-instalado gratuitamente no Windows 98. Mesmo que a Netscape decida cobrar muito pouco ou oferecer seu produto com maior qualidade e de forma gratuita, é bem provável que a maioria prefira ficar com o Internet Explorer por uma questão de comodidade. Principalmente para os usuários leigos, é sempre chato instalar um novo software no micro. O departamento de Justiça norte-americano obviamente percebeu a manobra e quer impedir a Microsoft sob pretexto de que é concorrência desleal e um monopólio prejudicial ao livre mercado dos Estados Unidos. A Microsoft ainda terá um bom tempo para apelar e não vai entregar os pontos facilmente, embora seja provável que perca essa batalha, mas a guerra continua.Bancos na Internet
A maioria dos bancos que oferecem aos seus clientes o serviço de home banking convencional está migrando para o ambiente de Internet. O home banking é um serviço que permite ao correntista conectar o seu microcomputador, discar para o seu banco e fazer consultas, transferências, aplicações e emitir extratos, entre outros serviços. No home banking convencional, o cliente recebe disquetes ou um CD-ROM com um software do banco e o instala em seu micro para usufruir dos serviços. Apesar de eficiente, o home banking convencional depende de um grande investimento para o banco e pode implicar em algumas dificuldades para o cliente. O banco tem que disponibilizar muitas linhas telefônicas com modems para receber as chamadas e, de preferência, na cidade onde reside o cliente. Caso contrário, o cliente terá que pagar ligação interurbana, o que na maioria dos casos torna o acesso ao serviço inviável.
Na Internet, a coisa já é bem diferente. O cliente conecta o seu micro discando para o seu provedor local de Internet ao invés de ligar para o banco e usa um software universal, o browser (Netscape, Microsoft Explorer) para usar os serviços oferecidos por seu banco. Nesse caso, o banco tem uma ou algumas poucas linhas de alta velocidade conectadas à Internet e, como não recebe diretamente as ligações telefônicas, não precisa disponibilizar milhares de linhas e modems. Não precisa também fornecer um software próprio para o cliente: os serviços são oferecidos nas páginas de seu site na Internet. O suporte de atendimento ao cliente nas áreas de conexão e problemas de linhas já não é mais de sua responsabilidade e sim da empresa provedora de acesso à Internet. Tudo isso significa centenas de milhões de dólares de economia. Home banking no Brasil
No Brasil, boa parte dos bancos estão em estágio avançado de implementação dessa tecnologia. O Bradesco já conta com aproximadamente 100 mil usuários de home banking Internet e é o segundo no mundo, perdendo por pouco apenas para o Merryl Linch nos Estados Unidos. Em um evento sobre automação bancária ocorrido no início do ano nos Estados Unidos, o Bradesco surpreendeu e foi o case mais comentado do congresso. Um novo projeto de expansão do home banking Internet do Bradesco deverá colocá-lo em primeiro lugar em todo o mundo. Outros bancos como o Banestado e Itaú já oferecem serviços na Internet, porém ainda de forma parcial. O Itaú está oferecendo o serviço restrito a algumas cidades e promete disponibilizá-lo em breve para todos os seus correntistas.Chase Manhattan
Nos Estados Unidos, o Chase Manhattan Bank, maior banco de atendimento a clientes pessoa física, está lançando seu serviço na Internet com alguns diferenciais muito interessantes. É para encantar mesmo o cliente. Além dos serviços convencionais de transferência de fundos, extratos e outros, o cliente poderá agendar seus compromissos no site para que o banco o avise sobre os compromissos financeiros cadastrados. É como uma agenda de compromissos, só que o cliente poderá ser avisado via e-mail, pager ou até com mensagem telefônica. Com isso o cliente poderá receber uma mensagem em seu pager lembrando-o sobre uma conta que deve pagar ou valor que tem a receber. Caso seja possível efetuar a transação diretamente na Internet, o sistema executa a transação automaticamente no dia e hora agendados sem a interferência do cliente, apenas avisando-o que a transação foi feita.
Carlos Trindade é consultor e gerente de informática da Folha. [email protected]





